
A manifestação arrancou pelas 14.55 horas da Praça Luís de Camões
Foto: António Pedro Santos/Lusa
Dirigentes, delegados e ativistas sindicais da CGTP rumaram esta terça-feira à Assembleia da República contra o pacote laboral.
Sob o mote "exigir a retirada do pacote laboral", a manifestação arrancou pelas 15 horas da Praça Luís de Camões e termina na Assembleia da República, em Lisboa.
Na manifestação, onde além do secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, marcou também presença o coordenador da Interjovem, os trabalhadores entoaram palavras de ordem como "não vamos desistir o pacote é para cair", "salários de miséria, rendas a subir, o povo não aguenta: está na hora de agir", "o pacote laboral é retrocesso social" ou "o pacote laboral só interessa ao capital".



Fotos: António Pedro Santos / Lusa
Ergueram ainda cartazes com mensagens de luta como "Liberdade sindical é conquista civilizacional", "não ao retrocesso, não à exploração", "direito a ter tempo para viver" ou "contra o despedimento sem justa causa".
A poucos minutos da manifestação arrancar, o secretário-geral da CGTP reiterou que a marcha tinha como objetivo exigir "a rejeição do pacote laboral" e, perante as críticas de hoje da ministra do Trabalho - que disse que a central sindical se "auto afastou das negociações" - apontou que a governante tem "memória seletiva".
Tiago Oliveira reiterou que a CGTP entregou "há meses" uma "proposta concreta" com alterações que considera que devem existir na lei laboral e que a ministra "não colocou nenhuma proposta da CGTP neste pacote laboral porque o Governo não se revê nas propostas".
"Aquilo que está neste pacote laboral é tudo e o seu contrário. É aumentar a precariedade, aumentar as desregulações dos horários de trabalho, facilitar os despedimentos, atacar a contratação coletiva, embaratecer o trabalho", frisou, sublinhando que Palma Ramalho deve "rever o seu discurso".
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Na reta final da manifestação, dirigiu-se aos milhares de dirigentes, delegados e ativistas sindicais, apontando que o Governo tem objetivo de "alterar profundamente as relações de trabalho" e a "correlação de forças, ainda mais a favor do patronato" e considera uma "desfaçatez" apresentar "um documento desta dimensão".
"Normaliza e aumenta ainda mais a precariedade, cria as ferramentas necessárias para ir mais longe na desregulação dos horários de trabalho, facilita ainda mais os despedimentos, ataca a contratação coletiva, ataca o direito de greve e limita a entrada dos sindicatos nos locais de trabalho", afirmou, indicando que se trata de um executivo "comprometido com os grandes e poderosos".

Fotos: António Pedro Santos / Lusa
"É fundamental a luta reivindicativa"
O líder da CGTP disse ainda que o anteprojeto do Governo de revisão da legislação laboral "é para rejeitar" e criticou os sucessivos adiamentos da reunião que a CGTP tem prevista com o primeiro-ministro.
E numa altura em que o país está a poucos dias de ir a votos para escolher o próximo presidente da República deixou um aviso à navegação: "o presidente da República não pode ser um mero observador. Não pode ser apenas um figurante. É alguém que faz um juramento e que jura, defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República", afirmou.
Tiago Oliveira realçou ainda que a Constituição "nasce da luta dos trabalhadores" e apelou para que no próximo domingo os eleitores se desloquem às urnas para decidir (...) pelos direitos dos trabalhadores", disse, referindo que "contra o pacote laboral também aí se insere".
"A par da exigência da retirada do Pacote Laboral, é fundamental a luta reivindicativa em cada empresa, em cada local de trabalho", disse ainda, reivindicando um aumento salarial de 15% num mínimo de 150 euros para todos os trabalhadores e o salário mínimo nacional nos 1050 euros.

Fotos: António Pedro Santos / Lusa
Na manifestação de hoje estiveram também presentes várias figuras do espetro político, entre as quais o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, e os candidatos presidenciais Catarina Martins e António Filipe.
No final, uma delegação da CGTP deslocou-se à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, para entregar um abaixo-assinado com mais de 190 mil assinaturas para exigir a retirada do anteprojeto de revisão da legislação laboral.
