
Coordenador da Estrutura de Missão, Paulo Fernandes
Foto: Nuno Brites
O coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País, criada na sequência do mau tempo, defendeu a criação do Livro Branco do Dano, considerando que o mínimo era deixar um "planeamento a sério".
"Perante aquilo que é o esforço brutal que toda esta comunidade, esta sociedade, este território está a fazer, o mínimo que nós devíamos deixar era um planeamento a sério para uma próxima década e termos essa ambição, ou seja, todos estes ensinamentos terríveis ligados ao dano - por isso, eu chamei o Livro Branco do Dano - têm de nos dar lições e tem de ser estruturado para este futuro próximo", afirmou Paulo Fernandes.
Aos jornalistas, em Leiria, numa conferência de imprensa para fazer um ponto de situação sobre o levantamento de prejuízos e os apoios atribuídos até ao momento, Paulo Fernandes considerou que, face aos fenómenos meteorológicos extremos, tem de se "olhar para isto de outra maneira", incluindo a "governança destes processos".
"Temos de tornar o cidadão mais resiliente, a empresa, a associação, os municípios, as entidades de uma forma mais coletiva mais resilientes e pensar também como é que os princípios da nova sustentabilidade, das novas economias, dos novos modelos, dos serviços de ecossistema também podem ajudar as estruturas produtivas", adiantou.
Para Paulo Fernandes, "são questões de nova geração que estas regiões têm de ser modelo".
"Temos de aproveitar essa possibilidade de, neste momento, estarmos tão disponíveis para pensar de outra maneira o futuro perante o drama que estamos a viver, [que] temos de tornar isso, obviamente, algo positivo e algo congregador, mas também algo que nos transporte para as questões da inovação e da competitividade", declarou.
Inovação, diversificação e competitividade
O coordenador da Estrutura de Missão, sediada na Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, referiu a importância da inovação, diversificação e competitividade "ao mesmo tempo tomando a sustentabilidade e aquilo que são as abordagens de interligação entre territórios, comunidade científica, empresas".
"Esse triângulo virtuoso tem de aqui funcionar mesmo e daquilo que vi, da capacidade instalada, é preciso é juntar mais as peças e pôr o guião a funcionar", declarou, chamando-lhe "Visão Estratégica 2035".
Para Paulo Fernandes, ex-presidente da Câmara do Fundão, distrito de Castelo Branco, "é preciso ter de facto uma leitura sobre os danos, a questão do que é a sustentabilidade e resiliência", mas também a inovação e competitividade, e com uma "economia socialmente mais justa".
A "Visão Estratégica 2035" deverá estar pronta até ao final deste ano.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
