
JULIEN WARNAND/EPA
António Costa lamentou, este sábado, o facto de ser sido tornado público o telefonema que fez a Rui Moreira, anteontem, e revelado pelo presidente da Câmara do Porto, ontem na TV. "Não costumo andar a falar das chamadas que faço", apontou.
7581062
À chegada à Convenção Autárquica do PS, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, o secretário-geral do PS recusou adiantar o que terá conversado com o autarca portuense, frisando que "há mínimos" que devem ser "respeitados".
"Tenho as minhas regras. Quando faço uma chamada para alguém, só quero falar com essa pessoa, dizer o que tenho a dizer a essa pessoa. Não costumo andar a falar das chamadas que faço. Não ia abrir uma excepção, porque se o fizesse teria que responder sobre todas as chamadas que já fiz hoje", apontou, ao lado de Ana Catarina Mendes, a secretária-geral Adjunta do PS, cujas declarações estão na origem do divórcio entre o movimento de Rui Moreira e os socialistas.
O desconforto de Costa surgiu quando questionado sobre a revelação feita por Rui Moreira, na SIC ontem à noite, de que teria recebido um telefonema do líder socialista.
O líder do PS garantiu que o bom relacionamento com o presidente da Câmara do Porto se mantém mas que é altura de cada um seguir o seu caminho: "às vezes vale mais uma boa amizade, do que um casamento indesejado. Cada um é livre de seguir o seu caminho".
Já sobre a eventualidade de, após as eleições autárquicas de outubro, voltar a existir um acordo entre o PS e Rui Moreira, Costa disse que se trata de "um assunto que compete às estruturas concelhias". "Quando era presidente de Câmara já geri o que tinha a gerir [acordos]".
"O PS assegurou boas condições de governabilidade na Câmara do Porto neste mandato, não nos arrependemos. Os políticos do Porto logo decidirão como é melhor gerir o Porto", explicou.
António Costa frisou que não chamou a si o processo de escolha de Manuel Pizarro, como candidato do PS no Porto, e sublinhou que o PS não tentou impor a sua presença ao movimento de Moreira.
"Obviamente que o PS não se impõe onde não é desejado. O PS fez o que deveria ter feito", disse. "Amigo não empata amigo. Não queremos ser mal-desejados em lado nenhum", acrescentou, antes de entrar no pavilhão, onde o encontro socialista arrancou com uma música que pode descrever os acontecimentos das últimas horas: a banda sonora de "Missão Impossível".
