
Crianças sentadas ou deitadas em círculo sobre tapetes coloridos, a escutar com a atenção possível da idade as instruções de uma professora
Igor Martins / Global Imagens
A Junta de Freguesia de Matosinhos/Leça da Palmeira lançou sessões de ioga para crianças. O projeto foi idealizado como uma forma de as trazer novamente à interatividade e de lhes proporcionar incentivos à saúde mental, depois de dois anos de uma pandemia que praticamente as deixou isoladas do Mundo.
Quem os vê ao longe não imagina para o que ali estão. Parecem pequenotes em brincadeira, pouco mais do que dez, acompanhados pelos pais, sentados em círculo sobre tapetes coloridos e a escutar com a atenção possível da idade as instruções de uma professora que, pacientemente, os leva, sem que eles se apercebam disso, a um caminho de saúde que se quer percorrido logo desde a infância. Mas a coisa é séria e tem propósitos nobres: a Junta de Freguesia de Matosinhos/Leça da Palmeira arrancou, no primeiro sábado deste mês, com aulas de ioga para crianças entre os dois e os seis anos.
A ideia surgiu depois do sucesso que as sessões de ioga para idosos locais, também promovidas pela Junta, proporcionou. A adesão surpreendeu todos e o presidente do executivo, Paulo Carvalho, pensou: "Se resultou com os mais velhos, porque não haverá de resultar também com os mais novos?".
Lançada a ideia, foi espalhar palavra para convencer encarregados de educação a trazer os seus miúdos literalmente para o tapete. Às cerca de uma dezena de inscrições para a primeira aula juntaram-se entretanto quase outras tantas para as seguintes. Foi, até, preciso dividir turmas, dada a grande procura.
A dificuldade maior é manter as crianças concentradas, algo que se vai conquistando aos pouco
"Era necessário e fundamental trabalhar a saúde mental das crianças depois de tanto tempo fechadas em casa, durante os dois anos de pandemia. Trazê-las novamente à interatividade, proporcionar-lhes mais autoconfiança. E o ioga é um excelente caminho para tudo isso", considera Paulo Carvalho.
Este é um "desafio diferente" de todos com que Diana Silva, a professora responsável pelas aulas, se deparou até começar a trabalhar com os mais novos. "Mas entusiasmante", admite. "A dificuldade maior é manter as crianças concentradas, algo que se vai conquistando aos poucos. É natural que queiram os pais por perto nas primeiras sessões, assim como será natural que gradualmente prefiram fazer os exercícios sozinhas à medida que se vão sentindo mais soltas e enquadradas", descreve. Um processo que levará "o tempo que for necessário" e que os pais, também eles, acompanharão à medida que as aulas forem evoluindo no tempo.
André e Joana Cardoso levaram a filha, também Joana, de cinco anos, para o ioga quase sem que fosse preciso convencê-la. "Ouviu na escola que as aulas iam acontecer e pediu logo para participar", contam. "É uma excelente forma de atividade física, que junta a isso um conjunto de regras e normas importantes nestas idades", acrescentam.
O ioga é excelente para que possam conviver e socializar após tanto tempo em que tal não foi possível
Alexandra Martins trouxe o Edgar, quatro anos irrequietos, para o lançar nos primeiros movimentos do ioga. "Ajuda a relaxá-lo do stress pandémico e pós-pandémico e é um bom método para que interaja com outras crianças de forma saudável", considera Alexandra.
Ideia que atravessou também o pensamento das mães Andrea Almeida e Carla Sousa na hora de inscrever as respetivas filhas, Teresa e Leonor, ambas de três anos. "Foi muito fácil convencê-las. O ioga é excelente para que possam conviver e socializar após tanto tempo em que tal não foi possível".
As sessões de ioga para crianças levadas a cabo pela Junta de Freguesia de Matosinhos/Leça da Palmeira decorrem todos os sábados, às 10 horas, durante 60 minutos, no Centro Comunitário de Matosinhos. Os pais pagam oito euros por mês.
