
José Valter Canastreiro tinha 46 anos. Era bombeiro e militar da GNR
Foto: José Valter Canastreiro / Facebook
Bombeiro perdeu a vida em Campo Maior quando estava em missão de socorro nas águas do rio Caia. Autarquia decretou três dias de luto municipal.
Um bombeiro, de 46 anos, morreu no rio Caia, em Campo Maior, quando estava em missão de socorro a famílias que se encontravam isoladas havia mais de 48 horas devido à subida das águas. A autarquia decretou três dias de luto municipal e o país chora mais uma morte, elevando para 14 o número de óbitos resultantes do mau tempo.
O operacional dos Bombeiros Voluntários de Campo Maior terá entrado na água numa zona de confluência do rio Caia, na Estrada Nacional 373, quando caiu numa área mais profunda, ficando totalmente submerso. Apesar do rápido socorro prestado pelos companheiros e da intervenção da equipa médica de emergência e da GNR, o óbito acabou por ser declarado no local. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Ministério da Administração Interna manifestaram "pesar e consternação" pelo sucedido.
Alívio só no dia 15
O dia da chegada da depressão Marta voltou a ser marcado pela meteorologia adversa, inundações e estragos. Para se ter uma ideia do que Portugal está a enfrentar, e segundo José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), durante umas horas foram libertados cerca de 750 hectómetros cúbicos de água das albufeiras, um volume equivalente ao consumo anual de água da população portuguesa.
Segundo o responsável da APA, "a tempestade entrou no país durante a madrugada, afetando de forma intensa a Região de Lisboa e o Vale do Tejo, antes de se deslocar para Norte e lançar grandes quantidades de precipitação em várias bacias hidrográficas, seguindo depois em direção a Espanha".
A situação do Guadiana mereceu particular atenção devido ao aviso laranja do lado espanhol. Também o Tejo continua a suscitar "preocupação", devido à chuva intensa em zonas como Santarém e Almeirim, bem como às descargas provenientes de Espanha. Igualmente as bacias do Mondego e do Vouga estão sob monitorização permanente.
Em Amarante, o rio galgou ligeiramente as margens, mas sem necessidade de retirada das populações, "graças a uma operação de gestão hídrica considerada inédita, que permitiu transferir água entre albufeiras para evitar descargas mais gravosas no rio Tâmega".
José Pimenta Machado adiantou que "existe uma curta janela de preparação" entre hoje e amanhã, antes da chegada da nova depressão prevista para terça-feira. A previsão é que a situação de período crítico, acrescida dos avisos da Proteção Civil, só comece a aliviar a partir do dia 15.
Ferrovia condicionada
A nível nacional, a circulação ferroviária também foi afetada. A IP deu conta de condicionamentos nas linhas do Norte (Alfarelos), Douro (Régua), Oeste (Mafra), Beira Baixa (Mouriscas), Cascais (Algés) e Vendas Novas (Lavre).


