
Nuno Fox/Global Imagens/Arquivo
Um grupo de 17 jovens que participavam no 127.º curso de comandos desistiram da instrução, segundo fonte do Estado-Maior do Exército confirmou ao JN.
As desistências, de entre um total de 65 militares que estavam em formação, ocorreram esta quinta-feira, dia em que o curso foi retomado, depois de se ter registado a morte de dois militares e ferimentos em 11. Entre as 17 desistências há um oficial, quatro sargentos e 12 soldados, o que reduz os instruendos ainda no curso a 48 elementos.
Confrontado pelo JN, o Exército garantiu que não tem forma de saber o porquê das desistências. "O militar que quer desistir não tem que explicar a razão", segundo adiantou a mesma fonte oficial. E o registo fica como "desistência a pedido do próprio".
As desistências ocorreram esta quinta-feira, dia em que o curso foi retomado, após a avaliação dos testes médicos determinarem que não havia razões clínicas para que os jovens não retomassem a formação.
O número de desistências é entendido oficialmente como "normal", mas fonte militar dentro da formação de tropas de elite salientou a "coincidência" de terem ocorrido após as mortes. E não será tanto devido aos instruendos. "O que pode ter acontecido é terem sido influenciados pelas famílias e levados a desistir", admitiu a mesma fonte militar.
As pressões da família poderão ter ocorrido durante o fim-de-semana. Como o JN noticiou, normalmente os instruendos não iriam a casa durante o fim-de-semana, mas uma vez que a formação estava suspensa, à espera dos resultados clínicos, os jovens, ao saírem do ambiente militar, ficaram sujeitos ao meio familiar e de amigos, influenciado pela carga negativa que tem acompanhado o 127º curso devido aos mortos e feridos.
Entretanto, continua sem se saber o que conduziu realmente aos acidentes tão graves que rodearam a formação de comandos. Uma das questões que está a ser avaliada é a forma como foi dada assistência médica a Hugo Abreu e Dylan Araújo da Silva. Ao JN, fontes militares garantiram que o perfil do médico não está fora das exigências da instrução. Trata-se de um capitão-médico, mas com o curso de comando, especializado em trauma e que trabalha também no INEM, na área do socorro imediato, além de prestar serviço na urgência do Hospital das Forças Armadas e num hospital civil.
