O topo do ranking é dominado pelos colégios privados. Os resultados também evidenciam uma clivagem entre os exames feitos no Interior e Litoral do país, com classificações globalmente superiores para a segunda zona. As condições de trabalho, nomeadamente a dimensão dos estabelecimentos é uma das razões invocadas para explicar essa disparidade e reclamar um novo modelo de ranking para o país.
As médias nacionais desceram, naturalmente, em consequência da "queda" nos exames. Mais de 45% das escolas - precisamente 281 das 616 - tiveram média inferior a 10, no conjunto das provas.
"O modelo que temos em Portugal é injusto. Não podemos comparar o incomparável", insiste ao JN Manuel Pereira, presidente da Associação nacional de Dirigentes Escolares (Ande).
Entre professores, directores e dirigentes de confederações de pais ouvidos pelo JN, nenhum discorda da existência de um ranking mas todos defendem outro modelo, que inclua mais variáveis além das notas dos exames, como o nível socioeconómico das famílias e o número de alunos.
O actual "apenas mede a avaliação externa. Há escolas que podem preparar exclusivamente os alunos para os exames, outras têm de fazer serviço social e fazem um trabalho espantoso de integração. Não se pode medir com fita métrica todas as realidades. É preciso repensar a avaliação das escolas e o modelo de ranking", defende Manuel Pereira.
O ranking "só dá ideia sobre o trabalho académico", afirma o director do Colégio Valsassina, em Lisboa, que conseguiu a melhor média nacional a Matemática no país. João Valsassina admite, sem rodeios, que a verticalização do ensino leccionado no colégio (do pré-escolar ao 12º ano) e a sua dimensão, tanto ao nível do corpo docente como de alunos permite o trabalho de equipa e interligação entre todos os ciclos. Um departamento com cinco ou seis professores reúne semanalmente e articula estratégias. "Se fosse de 50 ou 60, não seria possível". Ora, trabalho de equipa e ensino personalizado são precisamente reivindicações de directores de escolas públicas, que contestam os mega-agrupamentos.
"É uma luta desigual. Se sentir que os alunos precisam de mais uma hora a uma disciplina é fácil no privado, impossível no público", frisa Manuel Esperança. O presidente do Conselho de Escolas reconhece benefícios ao ranking: "Podermos comparar trabalhos e questionarmo-nos porque não atingimos determinados objectivos" mas dizer que essa listagem aponta as melhores e piores escolas "é mentira".
O ranking é feito sem ter em conta o número de alunos que faz exame por escola. "É uma injustiça", insiste Maria José Viseu, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), apontando o caso dos alunos que frequentam os cursos CEF (cursos de Educação e Formação) que fazem exame nas escolas públicas e não existem nas privadas.
Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional de Pais (Confap), considera que o actual ranking "não tem valor nenhum. Faltam muitos dados que permitem uma avaliação rigorosa do que se passa nas escolas".
