
Conhecimento é estimulado de forma lúdica através da construção de robôs, confeção de bolachas, exposições interativas e um sem-fim de atividades
Maria João Gala/Global Imagens
A antiga Companhia Aveirense de Moagens encerra um mundo de ciência que ensina a fazer robôs, conta o que são anelídeos e outros invertebrados, permite perceber como se formam tsunamis, assistir a palestras de astronomia e até mostram como a química alimentar está presente quando se fazem bolachinhas de chocolate, entre muitas outras atividades.
"Queremos desmistificar e tirar o medo da ciência, muitas crianças acham que é difícil e complicado, mas é divertido", explica Fábio Ferreira, monitor que coordena o ateliê que aos fins de semana ensina a fazer robôs com legos e a programá-los. No dia da visita do JN Urbano, era uma tartaruga com sensores de infravermelhos, que partia em busca de "comida", para assinalar o nascimento de Darwin.
Matilde, 9 anos, pediu logo ao pai, Bruno Cabral, para ir, mal soube da atividade. "Foi fácil e tive a ajuda do pai. Gosto de vir à fábrica", conta. Alice, 8 anos, só tinha olhos para o robô. "Não quer saber de mais nada", diz o progenitor, Filipe Saraiva, a rir.
Margarida, 10 anos, já é presença regular no local. "É interativo e divertido. Aprendemos coisas novas que não se aprendem na escola e é fixe porque são diferentes do dia a dia", explica, enquanto pinta figuras que ajudou a fazer. Antes, confessa, "pensava que a ciência era uma coisa chata".
Experiências educativas e lúdicas
Uma família de Gaia leva bolachas em forma de dinossauro, que Carla e Carolina, de 9 e 10 anos, fizeram na cozinha, enquanto descobriam mais sobre química alimentar. Dali, rumam ao laboratório. É lá que a pequena Bruna, de 5 anos, mete as mãos na terra à procura de minhocas, que são "anelídeos", atalha o pai, Tiago Almeida, explicando que a fábrica permite fazer "muitas experiências educativas e lúdicas", que em casa seriam "mais difíceis".
João, 5 anos, brinca na exposição Mãos na Massa, um espaço interativo que se centra na química, física e matemática. Tem desde um módulo que explica o código binário dos computadores a sistemas de roldanas, permite simular montanhas e outros ambientes ao mexer na terra e replica a formação de tsunamis, entre muitas outras experiências. "As atividades estimulam o raciocínio, a observação, o pensamento crítico, despertando-os e levando-os a questionarem-se", enquanto se "divertem", explica a mãe, Catarina Duarte.
"Acreditamos que as pessoas com mais cultura científica e com mais conhecimento podem refletir de outra forma sobre os problemas do dia a dia, tomar melhores decisões e exercer uma cidadania mais ativa e consciente", refere o diretor da fábrica, Pedro Pombo.
Recuperação pós-pandemia
A fábrica, um Centro Ciência Viva que integra a Universidade de Aveiro e faz parte da rede nacional daquele tipo de centros, tem precisamente como "missão a promoção da cultura científica e o envolvimento do público", com um programa educativo que inclui escolas, atividades abertas às famílias e ações itinerantes por todo o país, muitas das quais resultam de parcerias com autarquias, entidades regionais e até programas europeus.
Na manhã que o JN Urbano passou no local, que mantém muitos dos traços originais da antiga unidade fabril, estavam inscritas 127 pessoas em cinco programas. Esta é apenas uma pequena amostra do trabalho que se realiza dentro e fora de portas, explica Pedro Pombo. Em 2019, as várias ações abrangeram 55 474 pessoas. A adesão decaiu devido à pandemia, mas já começou a recuperar e, no ano passado, 26 402 pessoas deixaram-se cativar pela ciência.
