
A Tekever, que produz drones militares, é uma das empresas apoiadas pela idD
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No ano passado surgiram 81 novas empresas em Portugal ligadas ao setor da Defesa, um universo que está a crescer e que gera mais de oito mil milhões de euros anuais em vendas, revelou o presidente da empresa pública idD Portugal Defence, Ricardo Pinheiro Alves.
Em entrevista à agência Lusa, Ricardo Pinheiro Alves, presidente da "holding" estatal que gere as participações públicas nas empresas do setor da Defesa, adiantou que o universo de entidades já ascende a 440, com 81 novas sociedades registadas só no ano passado.
"Estas empresas que entraram são de setores diferentes. Aliás, os dados falam em 45 setores de atividade", acrescentou o responsável, referindo-se a informações divulgadas recentemente pela idD que apontam que este universo está a "crescer rapidamente".
Materiais de duplo uso
De acordo com um levantamento feito pela idD, o volume de negócios anual destas empresas ronda os 8,68 mil milhões de euros em vendas somadas, sendo que 3,47 mil milhões referem-se a vendas para fins de Defesa, e os restantes 5,20 mil milhões receitas para fins civis - uma vez que estas empresas produzem materiais que podem ter um duplo uso.
No setor da Defesa, a grande maioria das empresas (60%) dedica-se à área dos serviços, com 26% no setor da indústria, 10% em "investigação e desenvolvimento" e 4% na área da formação. Predominam as micro e pequenas empresas (62,3%), seguindo-se as médias (25,3%) e, por fim, as de grande dimensão (12,3%).
Ricardo Pinheiro Alves realçou que existem várias empresas que fornecem o setor automóvel (como a metalomecânica ou a indústria dos moldes) que estão a começar a explorar alternativas complementares de mercado na Defesa: "Como o setor automóvel está a atravessar alguma crise, estas empresas estão a procurar uma alternativa, e essa alternativa pode ser na Defesa. Continuam a ser fornecedoras do setor automóvel, mas estão a tentar diversificar a sua base de clientes".
Gastos aumentam
O ambiente é propício a investimentos na área de Defesa: desde o início do conflito na Ucrânia, com a invasão pela Federação Russa, em fevereiro de 2022, que os países da NATO e da União Europeia têm aumentado significativamente os seus gastos no setor.
No âmbito da Aliança Atlântica, a meta dos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) subiu para 5% até 2035, com uma revisão intercalar em 2029, e na União Europeia, Portugal candidatou-se ao Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE) com um plano de 5,8 mil milhões de euros para reequipar as suas Forças Armadas (empréstimos a preços favoráveis que têm que ser executados até 2030).
Ricardo Pinheiro Alves antecipa que este ano o número de empresas ligadas ao setor continue a aumentar, mas não só: "O que eu antecipo para este ano é que não só que o número de empresas continue a subir, como a criação de novas empresas, por via do investimento estrangeiro, venha criar também novo emprego e emprego qualificado. Porque o emprego que está associado ao investimento estrangeiro habitualmente é emprego mais qualificado, ganha melhores salários e é mais produtivo".
Salário médio de 2038 euros
Dados da idD referentes a 2023 indicam um total de 45 947 postos de trabalho associados a este setor, (número que atualmente se estima que seja mais elevado), com um salário médio de 2 038 euros, "mais do dobro do que é praticado para o conjunto das empresas nacionais".
Quanto às exportações do setor, os dados mais atualizados recolhidos pela idD apontam para uma duplicação entre 2012 e 2024, com Ricardo Pinheiro Alves a salientar que muitas destas empresas vendem "mais de 80% da sua produção" para o estrangeiro.
Há dois anos, o peso da economia de Defesa nas exportações nacionais era de 2,3%, o equivalente a cerca de três mil milhões de euros.
