
Maior perda de faturação ocorreu em Estarreja, de acordo com a Unicre
Foto: Maria João Gala
Nos concelhos mais associados à celebração do Carnaval, a faturação caiu 8,1%, entre os dias 14 (sábado) e 17 (terça-feira) deste mês, comparando com igual época festiva de 2025, apurou a Unicre, empresa que gere cartões de pagamento.
Este ano, o Carnaval ocorreu quando o país ainda estava a viver os efeitos das sucessivas tempestades que assolaram Portugal desde 28 de janeiro, o que levou algumas autarquias a cancelar ou adiar os desfiles tradicionais.
Nos 10 concelhos analisados, a quebra também foi visível nos indicadores de consumo, desde logo, no gasto médio por cartão, que baixou para 57,47 euros (-6,9%); e nas compras, que desceram para 33,80 euros (-8,5%), em média.
Este comportamento evidencia "um consumo mais contido num contexto de menor dinamização e afluência às celebrações", de acordo com o relatório o Reduniq Q Insight.
Na análise por concelho, Estarreja registou a maior quebra de faturação (-17,1%); seguida por Sesimbra (-10,6%); Torres Vedras, onde foi cancelado (-9%); Loulé (-8,9%); Sines (-8,5%) e Alcobaça (-8,4%).
Abaixo desses valores surgem a Madeira, com uma descida de 7,2%, e a Mealhada a perder 7,8%. Com quebra bem menor, destaque para Ovar (-1,5%).
Macedo de Cavaleiros foi o único concelho a manter praticamente estável a sua faturação (+0,1%), lê-se no comunicado da Unicre.
Gasto médio com cartão
Foi na Madeira onde se registou a maior descida ao nível do gasto médio por cartão, ao baixar 12,2%, para 70,25 euros.
Pelo contrário, o concelho onde houve o maior crescimento no gasto com cartão foi em Torres Vedras, onde não houve festejos: subiu 12,9%, para 47,21 euros.
Nas compras com cartão (ticket médio), Sines registou a maior descida (-14,7%), para 23,95 euros, enquanto Torres Vedras voltou a evidenciar uma evolução positiva (+6,2%), para os 27,86, refere o comunicado da instituição financeira.
Madeira domina
No total da faturação dos dez concelhos, a Madeira apresentou o maior peso relativo do volume global (44,3%), seguida por Loulé (24,1%), Torres Vedras (12,5%) e Sesimbra (6,5%), "o que demonstra o forte contributo das regiões com maior tradição e projeção", observam os analistas.
Quanto ao pico de faturação, concentrou-se maioritariamente no dia 14 de fevereiro, com duas exceções: Macedo de Cavaleiros, onde ocorreu no dia 15, e da Madeira, registado no dia 16, o que denota, segundo a Unicre, as "diferenças na programação local e na duração das festividades".
Mercado é nacional
Quanto à origem dos cartões, o relatório conclui que "o consumo nacional continuou a ser predominante na maioria dos concelhos, com pesos superiores a 90% em Estarreja (96,7%), Mealhada (96,2%), Torres Vedras (95,9%), Sesimbra (95,4%) e Ovar (94,8%)".
"Ainda assim, os destinos com maior vocação turística mantiveram uma presença relevante de consumo estrangeiro, nomeadamente a Madeira (31,7%) e Loulé (21%)", acrescenta o comunicado.

