
Fernando Castro, diretor do agrupamento, e Cacilda Paz, professora de Matemática
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Quando os alunos começam com as desculpas do costume, que a Matemática é difícil, que é isto, que é aquilo... Cacilda Paz cala-os logo: "Sabem jogar sueca? Sabem! E o que é preciso para saber jogar sueca? Conhecer as regras, muito bem! Na Matemática, é a mesma coisa. Como num jogo, há um conjunto de regras que é preciso fixar. Depois, é uma questão de treino".
A mensagem da coordenadora do departamento de Matemática da Escola Fernão de Magalhães, em Chaves, tem resultados demonstráveis. A escola é, segundo a análise do JN, a melhor da rede pública nos exames de Matemática do Secundário. Os seus alunos atingiram uma média de 14,1, quando a média nacional foi de 10,4.
Cacilda divide o mérito por três: alunos, professores e a própria escola. Pelos alunos, por "adquirirem bons hábitos de trabalho"; pela escola, por promover a disciplina; e pelos professores, por incutirem uma dinâmica de trabalho muito grande". Trocando por miúdos: "não damos folga aos alunos, não pode ficar nada para trás. Na Matemática está tudo ligado, há uma sequencialidade muito grande. Em História, podemos não conhecer o século XV e saber tudo do XVI. Em Matemática, tudo depende do que está para trás", explica a docente, que destaca o funcionamento do grupo de Matemática. "Falamos uns com os outros, fazemos testes em conjunto, perguntamos sobre as estratégias de cada um para explicar esta ou aquela matéria". O presidente do agrupamento, Fernando Castro, confirma: "é um grupo coeso e solidário que tem mostrado bons resultados".
E que opinam os craques dos números cujos exames deram origem a este resultado? Andreia Chapouto, 18 anos, agora aluna de Matemática na Universidade de Coimbra, acredita que o sucesso se ficou a dever ao facto de a professora do 12.0 ano ser "muito boa". Carlos Gouveia, caloiro na Faculdade de Economia no Porto, realça o papel de uma escola onde os professores são mais que isso. "Não deixam as coisas para depois. Tiram sempre as dúvidas, nem que percam uma aula, ou nos mandem passar na sala de estudo".
