
Foto: José Sena Goulão/Lusa
O candidato presidencial Gouveia e Melo deu, este domingo, uma pequena volta de mota em Chaves, afiançando que está habituado a conduzir "coisas mais difíceis" e que a segunda volta é sempre "mais simples" do que a primeira.
"A segunda volta vai ser sempre mais simples do que a primeira", gracejou o candidato, enquanto montava uma Harley Davidson junto ao marco do quilómetro zero da Estrada Nacional (EN) 2, em Chaves, no distrito de Vila Real, momento que gerou a curiosidade das pessoas que por ali passavam.
Num arranque com alguma dificuldade, devido ao peso da mota, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada deu uma volta de cerca de cinco minutos, parando depois na rotunda que marca o início da estrada que atravessa o país e termina em Faro, ao quilómetro 739.
Questionado pelos jornalistas sobre se tinha conseguido fazer a volta sem tombos, Gouveia e Melo respondeu que isso era "só que faltava", assegurando que, apesar de se tratar de uma mota pesada, estava habituado a "conduzir coisas mais difíceis do que uma mota".
Após o passeio sobre duas rodas, Gouveia e Melo atravessou a Ponte de Trajano, sobre o Rio Tâmega, e deu uma volta pelo centro da cidade, que durante a tarde se encontrava praticamente vazio, parando depois num café, onde aproveitou para comer um pastel de Chaves.
Acompanhado pelo presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, seu apoiante, que vestia um capote, o candidato atirou, em brincadeira: "Se eu tivesse uma samarra dessas, era logo eleito", com Isaltino a explicar que existem três tipos daqueles agasalhos: a samarra, o capote - o usado pelo autarca -, e a capa de honra.
Gouveia promete vetar decretos que atentem contra interesse geral
O candidato presidencial Gouveia e Melo prometeu vetar decretos do Governo ou do parlamento que atentem contra o interesse geral.
Após uma breve reunião com o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, um dos responsáveis do Movimento Terra de Miranda, José Maria Pires, manifestou-se preocupado com uma possível alteração da lei que possa beneficiar empresas que exploram recursos energéticos no nordeste do país. Em causa, são reclamados aos consórcios privados por este movimento cívico mais de 1,5 mil milhões de euros em impostos.
Para Gouveia e Melo, "o que está em causa são interesses privados contra o interesse do Estado". "Neste caso, houve um conjunto de empresas que adquiriu equipamentos do Estado. Devem pagar um conjunto de impostos, mas conseguiram, através de um conjunto de manobras também administrativas, escapar a isso", lamentou.
Caso seja eleito presidente da República, Gouveia e Melo disse mesmo que irá vetar um decreto que, na sua perspetiva, facilite a fuga ao pagamento de impostos. "Sim, comigo podem ter certeza de uma coisa. O interesse comum e o interesse do Estado estarão sempre à frente dos interesses privados", acentuou.
Perante os jornalistas, o almirante defendeu que os interesses privados "têm o seu espaço, mas não para prejudicar o interesse do Estado e o interesse de todos os portugueses". "Os impostos devem ser pagos e não é através de influências laterais que se vão conseguir encontrar soluções para livrar as empresas. O Estado, às vezes, dobra-se a esses interesses. Comigo, tudo o que puder fazer para que isso não aconteça, não vai acontecer. São interesses que me pareçam legítimos", considerou.
"Estamos a assistir a uma partidarização da presidência"
O candidato presidencial advertiu que a presente campanha eleitoral está a tornar óbvia a tentativa de os partidos tomarem conta da Presidência da República contra o espírito da Constituição da República. "A Presidência da República é um elemento de equilíbrio na nossa Constituição e não deve ser partidarizado. E o que nós estamos a assistir é uma partidarização da presidência", declarou aos jornalistas o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, em Chaves, momentos antes de partir para Ponte de Lima, onde terá a sua última ação de campanha do dia.
De acordo com o almirante, essa tentativa de controlo da Presidência da República por parte dos partidos não é de agora. Mas as atuais "são as eleições em que isso é mais óbvio". "Estamos perante uma partidarização. Uma tentativa de os partidos no sentido de tomarem conta de mais um órgão de poder. Ou porque têm medo de um desequilíbrio que se crie, ou porque querem garantir um determinado equilíbrio. E eu não concordo com isso", afirmou.
De acordo com o almirante, com o aparecimento da sua candidatura presidencial, "pela primeira vez no processo eleitoral português, há a possibilidade de um presidente da República verdadeiramente independente". "Isso, claro, de alguma forma, assustou o sistema partidário, que reagiu. E reagiu como? Cada partido encontrou um representante da sua faixa, do arco-íris partidário. Só que isso divide os portugueses. E a Presidência da República é a ponta do triângulo que tem como missão unir os portugueses", acrescentou.
"Não é fazer pinos e a vestir luvas de boxe que vão salvar-se no futuro"
Gouveia e Melo voltou a criticar os seus adversários, dizendo que não é a dar aulas de culinária nas redes sociais ou a calçar luvas de boxe que conseguem salvar o país numa situação difícil. "Não se deixem enganar, se um dia estiverem numa situação difícil, se este país tiver de passar outra vez por uma situação difícil, não é com essa gente que os senhores vão sair. Não é a dar aulas de culinária nas redes que vão conseguir salvar-se de situações difíceis no futuro. Não é fazer pinos e a vestir luvas de boxe que vão salvar-se no futuro", afirmou.
Sem referir nomes, o candidato visava os seus adversários João Cotrim de Figueiredo e Luís Marques Mendes, respetivamente, durante uma intervenção num comício no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo. E prosseguiu com as críticas: "Neste mundo difícil, não se deve estar acompanhado, quando se está no escuro, de um indeciso. De uma pessoa incapaz de ter uma visão, uma pessoa incapaz de tomar decisões. E uma pessoa que não tem a 'stamina' certa, para, no momento certo, resistir às pressões".
Durante o seu discurso, Gouveia e Melo referiu-se ainda aos comentadores que no último ano se têm comportado como sicários, a atacar: "E hoje, os mandatários desses sicários vêm da forma mais cândida dizer, 'agora andam a enlamear, a conversa devia ser mais elevada'.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada prosseguiu nas críticas, afiançando não ser "um tio de Cascais", um "falso socialista", ou um "social-democrata que prefere a parte de cima dos negócios e ignora verdadeiramente a população e com isso não respeita o legado e o exemplo de Sá Carneiro".
Gouveia e Melo criticou os "sicários" que o atacaram por ser militar e querer candidatar-se a presidente da República, considerando que não tiveram respeito "pelos militares que em 25 de Abril lhes deram a liberdade e que em 25 de Novembro [de 1975] entregaram essa liberdade ao poder civil". "Essa falta de respeito notava-se no preconceito contra um militar poder, depois da sua vida militar, participar na vida cívica enquanto cidadão. Esse preconceito é verdadeiramente antidemocrático, é um preconceito que mostra que há castas que querem dominar o sistema político o sistema político não pode ser dominado por casta nenhuma", declarou.
