Governo cria grupo de trabalho após eventos com influenciadores que promovem a misoginia nas escolas

Ministro Fernando Alexandre afirma que espaço escolar deve ser protegido
Foto: António Pedro Santos / EPA
O Ministério da Educação anunciou, esta sexta-feira, a criação de um grupo de trabalho para elaborar orientações no sentido de os diretores proibirem atividades contrárias aos fins educativos, após presenças de influenciadores nas escolas.
O grupo de trabalho, coordenado pelo secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, integra outros representantes do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), dos diretores e encarregados de educação.
A equipa deverá apresentar as conclusões até ao final do mês de março, cabendo-lhe produzir de orientações "relativas ao controlo e à proibição do desenvolvimento de atividades contrárias aos fins visados pelas instituições educativas".
Inspeção abriu inquérito
No despacho divulgado esta sexta-feira, que aguarda publicação em Diário da República, o ministro Fernando Alexandre justifica a decisão apontando a "crescente diversidade de iniciativas" promovidas nas escolas e sem enquadramento pedagógico que dão origem a "situações suscetíveis de afetar a integridade, a neutralidade e a segurança do espaço escolar".
O governante refere, em concreto, os casos noticiados pelo jornal "Público" de 79 escolas públicas que receberam, nos dois últimos anos letivos, influenciadores digitais que promovem conteúdos sexuais e misóginos, no âmbito de campanhas de associações de estudantes.
Na sequência da reportagem do "Público", a Inspeção-Geral da Educação e Ciência instaurou um inquérito aos dois diretores de escolas citados pelo jornal.
Segundo Fernando Alexandre, os casos noticiados revelam a necessidade de "clarificar os critérios aplicáveis à admissão destas presenças nas escolas e à autorização para a realização de atividades que fere os valores de cidadania democrática".
"Proteger espaço escolar"
O ministro da Educação considera ainda que as responsabilidades dos órgãos de direção devem ser realçadas, em particular dos diretores escolares a quem - escreve Fernando Alexandre - compete gerir as instalações e assegurar que as escolas cumprem "os princípios da ética pública, da neutralidade institucional e dos valores de cidadania democrática".
Na quarta-feira, Fernando Alexandre deu conta da intenção de criar este grupo de trabalho e explicou, na altura, que o objetivo é que os "diretores que têm mais dúvidas sobre como devem atuar nestas circunstâncias" possam "proteger o espaço escolar da entrada de entidades ou indivíduos que não têm legitimidade de entrar e que perturbam o processo educativo e a formação das crianças e jovens".
