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O secretário de Estado Adjunto e da Imigração, Rui Armindo Freitas, disse, na sexta-feira à noite, em Braga, que a política de imigração entrou numa nova fase, a da reintegração, e anunciou a apresentação em breve de um plano nacional para esse efeito.
"Depois de resolvidas 90% das mais de 400 mil pendências que herdámos, num esforço enorme, a AIMA vai-se reorientar para resolver os problemas da integração daqueles que nos procuram para viver e trabalhar", adiantou, sublinhando que essa política de apoio será concretizada com a sociedade civil, através das associações de imigrantes e dos municípios.
No entanto, - vincou - há ainda 40 mil processos por finalizar ligados a pedidos de residência através do mecanismo, entretanto extinto, da "manifestação de interesse".
O governante falava ao JN no final do 3.º fórum "As dores da imigração", organizado pela associação UAI - da diáspora brasileira - e que decorreu no Centro Cultural Montemuro. Na apresentação participaram o presidente da Câmara local, João Rodrigues, o deputado da Assembleia da República Joaquim Barbosa e a presidente da UAI, Alexandra Gomide.
O secretário de Estado acrescentou, ainda, que está para breve a divulgação de uma portaria que se destina a regular a captação de imigrantes altamente qualificados e revelou que foram já concedidos 1600 vistos a cidadãos estrangeiros para trabalharem legalmente em Portugal. "Há sempre queixas, mas as associações empresariais, nomeadamente as da agricultura e da construção, estão satisfeitas com a execução do protocolo que assinamos com elas", garantiu.
"Saímos de uma situação aguda, de falência total do Estado nas suas funções mais básicas, desde as questões de regularização, de acompanhamento de quem nos procurava, mas também de segurança da própria comunidade portuguesa ao desconhecer situações criminais de pessoas que nos procuraram para melhorar a sua vida", realçou.
Na ocasião, o presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, lembrou que o crescimento demográfico do concelho "deveu-se muito à imigração (...) ao longo da última década", o que fez com que o concelho se tornasse "um território que cresceu e não que perdeu gente, como aconteceu em muitos outros sítios".
Sustentou que, do ponto de vista económico "não há dúvidas nenhumas de que esta imigração, com uma obra mais qualificada, ajudou muito aquilo que é hoje também o sucesso da cidade".
"Voltamos a ser a cidade mais jovem do país, muito por força da imigração que recebemos", acrescentou.
Apesar disso - acentuou - há "particularidades que a imigração traz consigo e a que temos de atender com particular cuidado". "É a entrada de alguém num mundo desconhecido e, portanto, há um sentimento de pertença que o município pode ajudar quem vem de fora que se sinta, não digo em casa, mas com base numa série de condições de vida, que consiga viver melhor", observou.
