
Pedro Granadeiro/Global Imagens/Arquivo
Nos hospitais da região Norte, a greve dos médicos que arrancou esta madrugada de terça-feira está a afetar sobretudo a atividade cirúrgica.
Na Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, os hospitais de Mirandela e de Macedo de Cavaleiros estão com os blocos operatórios fechados e no Hospital de Bragança as cirurgias previstas para a tarde deverão ser canceladas, enquanto a consulta externa está a funcionar a 50%, segundo informação do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que convocou a greve conjuntamente com a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).
No Hospital de Famalicão todos os blocos cirúrgicos estão parados por causa da greve, cenário que se repete no Hospital de Viana do Castelo (ULS do Alto Minho).
No Porto, segundo o SIM, a adesão à greve está a afetar 80% da atividade da cirurgia de ambulatório do Hospital de Santo António, sendo que a especialidade de Oftalmologia está totalmente parada.
No Hospital de S. João há apenas dois blocos operatórios a funcionar e 70% das consultas estão a ser afetadas pelo protesto, refere o SIM.
No Hospital de Gaia, os blocos da unidade 1 estão parados, com todos os anestesistas em greve.
No IPO do Porto estão a funcionar três de sete salas operatórias e a adesão nas consultas externas ronda os 40%.
Já no Centro Hospitalar de Trás- os-Montes e Alto Douro, o Hospital de Vila Real tem três salas a funcionar e duas paradas, o Hospital de Lamego tem as duas salas previstas fechadas, enquanto no Hospital de Chaves os blocos estão todos a funcionar, acrescenta o comunicado.
Nos centros de saúde, a adesão também varia. Segundo o SIM, a USF Gil Eanes, em Viana, está a registar uma adesão de 100% e a USF Nuno Grande, em Vila Real, está a 50%.
Os médicos iniciaram, à meia-noite desta terça-feira, três dias de greve nacional, uma paralisação que os sindicatos consideram ser pela "defesa do Serviço Nacional de Saúde".
"A defesa do SNS" e o respeito pela dignidade da profissão médica são os motivos essenciais desta reivindicação, segundo os dois sindicatos que convocaram a paralisação.
Em termos concretos, os sindicatos querem uma redução do trabalho suplementar de 200 para 150 horas anuais, uma diminuição progressiva até 12 horas semanais de trabalho em urgência e uma diminuição gradual das listas de utentes dos médicos de família até 1500 utentes, quando atualmente são de cerca de 1900 doentes.
Entre os motivos da greve estão ainda a revisão das carreiras médicas e respetivas grelhas salariais, o descongelamento da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma.
Depois de duas greves nacionais em 2017, os médicos paralisam este ano pela primeira vez, com os sindicatos a considerar que o Governo tem sido intransigente e tem desperdiçado as oportunidades de diálogo com os sindicatos.
