
Nove milhões de euros foram alocados à investigação no Centro Hospitalar e Universitário do Porto
Artur Machado / Global Imagens
Centro Hospitalar Universitário do Porto, Lisboa Central e São João são as instituições hospitalares com mais despesa em I&D. Medicina Clínica é a área com maior alocação de fundos.
Tal como em anos anteriores, o Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP), onde está integrado o Hospital de Santo António, foi a instituição hospitalar que mais dinheiro despendeu em Investigação & Desenvolvimento (I&D) em 2018: nove milhões de euros. De acordo com os mais recentes dados publicados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), a despesa total de 20 instituições hospitalares, entre públicas e privadas, rondou os 55 milhões de euros naquele ano.
Ao Santo António seguiu-se-lhe o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, com 6,8 milhões, e o Centro Hospitalar Universitário de São João, destronando o de Coimbra, com uma despesa de 5,9 milhões. Os institutos de Oncologia de Lisboa e do Porto ocupam, respetivamente, as 5.ª e 8.ª posições.
Com mais de dois terços da despesa alocada à investigação aplicada, com foco na Medicina Clínica, as instituições em análise contam com um total de 772 funcionários a tempo integral (ETI). Desse universo, 81% são investigadores, 15% dos quais doutorados. O CHUP conta com 85,9 investigadores (ETI), seguido de perto por Lisboa Central, com, 85,2.
A Área Metropolitana de Lisboa (45%) e o Norte (39%) respondem pelo grosso da despesa em I&D, sendo ainda de realçar que 77% do financiamento provém de fundos do Estado. De referir que, em 2018, as instituições listadas pela DGEEC despenderam mais cinco milhões de euros em I&D, o que representa um crescimento de 10% face a 2017.
Organização é fulcral
Para Luísa Lobato, diretora do Departamento de Ensino, Formação e Investigação (DEFI) do CHUP, o sucesso está numa "organização profissional". No CHUP, explica, há duas grandes unidades: a de ensaios clínicos e a de apoio à investigação e inovação. O dinheiro arrecadado nos ensaios, sendo muitos da iniciativa da indústria, são depois reinvestidos no DEFI.
O número de projetos de investigação tem vindo a aumentar, totalizando 269 no ano passado. Da Neurologia Clínica aos Cuidados em Fim de Vida passando pela Cirurgia Pediátrica. Em 2018, publicaram 218 artigos em revistas indexadas na MedLine, perfazendo um fator de impacto de 944,346 (+34%).
Empresas de saúde e comunicações na linha da frente
Numa leitura empresarial, continuam a ser as sociedades ligadas aos setores da saúde e das telecomunicações a figurar no top 5. Mas com alterações de posições. Se o Grupo Altice mantém a liderança ao investir, em 2018, 86,6 milhões de euros em I&D, a segunda posição passou agora a ser ocupada por Bial, com 54 milhões.
O que se traduz num aumento de 43% da despesa face a 2017, passando de 4.º para 2.º lugar, destronando a Sonae, que cai para 5.º. Segue-se a NOS SGPS, com 46 milhões de euros de despesa, e a Hovione Farmaciência, que não autorizou a divulgação da verba. Não sendo, assim, de estranhar que as ciências da engenharia e tecnologias e as ciências médicas e da saúde sejam dos domínios com maior despesa: 63% e 12%, respetivamente.
A Área Metropolitana de Lisboa responde por 52% e o Norte por 34%, num total de quase dez mil recursos humanos a tempo integral afetos à investigação, 73% dos quais investigadores. Ao nível das pequenas e médias empresas, a 2.ª e 3.ª posições são ocupadas pela Fairjourney Biologics (6,4 milhões) e a Primavera - Business Software Solutions (6,3 milhões). A PME que lidera o ranking não autorizou a divulgação dos dados.

