
Professor e aluno reencontram-se. Vítor e Jaime no topo do ranking elaborado pelo JN
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Jaime Pinto, 10 anos, frequenta atualmente o 5.º ano de escolaridade a escassos quilómetros da aldeia onde vive, mas, numa das raras tardes livres, regressou à escola que, de acordo com os critérios JN, está no topo do ranking das escolas do 1.º Ciclo.
Ou melhor, regressou à sala de apoio da freguesia de Carvalhal Formoso que, tal como no ano passado, funciona com apenas oito alunos, sob a tutela do Centro Escolar de Belmonte. Foi nesta escola que Jaime concluiu, sozinho, o 1.º Ciclo do Ensino Básico. Com distinção.
Aluno "brilhante" e " ávido de saber", na terminologia do professor Vítor Sousa, o filho de um militar da GNR e de uma empregada de papelaria (ambos com 39 anos), realizou as provas de Português (4 valores) e a de Matemática (5 valores), para fechar as contas do ano com a classificação máxima.
"Estou contente", garantiu Jaime Pinto ao JN. "Só foi pena ter deixado esta escola, porque a outra é muito grande e sinto-me um bocadinho perdido", contou também o menino que adora Matemática e História e que um dia quer ser biólogo ou astronauta.
A exemplo de outras regiões desertificadas do país, Belmonte tem menos de 300 crianças a frequentar o Ensino Básico e o Ensino Pré-escolar. A esmagadora maioria dos alunos do Primeiro Ciclo está concentrada em seis turmas constituídas no edifício sede do centro escolar e as restantes estão distribuídas pelas escolas das localidades de Caria e Colmeal da Torre e ainda pelas duas salas de apoio existentes nas freguesias de Maçainhas e Carvalhal Formoso.
"Os alunos que se distinguem não são muitos, mas todos os anos recebem um diploma e a medalha associada", referiu, ao JN, a dirigente do Agrupamento de Escolas Pedro Álvares Cabral, Ilda Leal. Por razões óbvias, a cerimónia do dia 13 de setembro vai ficar gravada na memória de Cristina Pinto. Apesar de estar no início, a vida académica do filho Jaime só lhe tem dado alegrias. "É muito aplicado", referiu.
