
O álcool continua a ser a substância mais consumida, e logo a seguir o tabaco
Foto: Amin Chaar / Arquivo
É ao álcool e o tabaco, substâncias que tendem a contactar mais cedo, que os alunos do básico e secundário admitem ter mais facilidade no acesso. Entre as drogas ilícitas, é a canábis. Estudo alerta para aumento de comportamentos como o consumo de analgésicos fortes com fins recreativos, videojogos e jogo a dinheiro
Apesar de uma tendência de redução nos comportamentos de consumo de substâncias entre os jovens portugueses, a facilidade de acesso a álcool, tabaco e canábis continua a ser uma realidade para muitos alunos do ensino público entre os 13 e os 18 anos. Esta é um dos alertas do Estudo sobre os Comportamentos de Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências – Portugal 2024 (ECATD-CAD), promovido pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), que será apresentado esta terça-feira, em Lisboa.
Com uma amostra de 11 803 alunos dos 2.º e 3.º ciclos de 1992 escolas de todo o país, incluindo as regiões autónomas, o inquérito revela que o álcool continua a ser a substância mais consumida: 58% dos alunos afirmam já ter ingerido "pelo menos uma bebida alcoólica ao longo da vida", enquanto 48% o fizeram no último ano. Desses, 22% admitiu ter-se embriagado e cerca de 11% relataram episódios no último mês. Já a prevalência de embriaguez severa "é consideravelmente menor".
Entre as bebidas preferidas dos jovens estão os chamados 'alcopops' (bebidas adoçadas pré-misturadas e com pouco teor alcoólico) (24%), as bebidas destiladas (22%) e a cerveja (22%).
No que diz respeito ao tabaco, 25% dos alunos inquiridos disseram ter fumado alguma vez na vida, enquanto 17% no último ano e 10%. Dos que fumam diariamente - cerca de um em cada 50 - recorrem sobretudo aos cigarros tradicionais (22%) e 12% ao tabaco aquecido (ou cigarros eletrónicos).
Quanto ao consumo de drogas ilícitas, são as menos consumidas, com 7% dos alunos a admitirem já ter experimentado alguma substância, sendo a canábis a mais prevalente. Apenas 3% referem um consumo no último mês, e menos de 1% dizem consumir com frequência diária — embora, entre os consumidores ativos, 10% relatem esse padrão de uso.
Aumento do jogo
Os comportamentos de risco estão, assim, "confinados a uma minoria" e são "mais esporádicos do que frequentes". Todavia, os resultados mostram que há fenómenos que se tornaram "mais prevalentes" face ao estudo anterior, referente a 2019, como o consumo de analgésicos fortes "com o intuito de ficar alterado", o jogo eletrónico e o jogo a dinheiro, embora este último seja uma prática "muito menos prevalente" adianta o ICAD.
Os videojogos são mais comuns entre os jovens do 3.º ciclo, sobretudo entre os rapazes. Já os do ensino secundário, entre os 15 e os 18 anos, jogam sobretudo a dinheiro, o que indica que há apostadores menores de idade.
