Quatro adolescentes portugueses participaram, no Parlamento Europeu, no Encontro de Crianças e Jovens sobre a Pobreza e Exclusão Social. O objectivo era ouvir a voz de quem ainda não pensa com a lógica do "mundo dos adultos".
José Eduardo Sousa, 13 anos a residir em Vila Nova de Gaia, foi um dos quatro portugueses seleccionados para ir a Bruxelas devido ao seu empenho no projecto Agir XXI. Na sua opinião, as propostas das crianças distinguem-se das avançadas por adultos por serem “mais claras, mais directas e mais rápidas”.
Na reunião que tiveram com seis eurodeputados portugueses, os jovens tiveram oportunidade de colocar algumas questões e as respostas tendiam sempre para as políticas de emprego. “O que nós pretendemos é que haja iniciativas concretas de combate à pobreza e exclusão infantis”, explicou José Eduardo ao JN.
Por isso, a jovem comitiva portuguesa quis saber, dos eurodeputados, o que, nesta área, já tinham feito, o que poderiam fazer e que contributo as crianças poderiam dar. Das respostas, depreenderam que “no mundo dos adultos, é tudo mais complicado e lento”, explicou José Eduardo Sousa.
A experiência de partilhar com 33 crianças de oito estados-membros visões sobre a forma como é vivida a pobreza e a exclusão foi, para José Eduardo, “muito enriquecedora”, que apreciou principalmente ver como funciona o Parlamento Europeu.
Além de José Eduardo, participaram no encontro Rui Teixeira (dez anos, também em representação da Agir XXI, de Gaia), Tânia Formigo e Ana Pêgo (de 14 e 15 anos, do Centro de Emergência Social da CEBI, Alverca). Os quatro foram designados embaixadores da Eurochild, uma organização que reúne uma rede de instituições e indivíduos que trabalham em toda a Europa para promover os direitos infantis e melhorar a qualidade de vida de crianças e jovens.
Em concreto, os jovens portugueses têm a missão de divulgar a campanha europeia End Child Poverty. Na agenda dos embaixadores estão reuniões com diversos responsáveis políticos – já foram recebidos pela secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idalia Moniz – e acções de sensibilização em escolas, explicou ao JN Sérgio Araújo, coordenador da Agir XXI e membro da Eurochild.
