
Marcelo Rebelo de Sousa em Estrasburgo com eurodeputados portugueses, onde abordou o encerramento do seu mandato na presidência
Foto: Estela Silva / Lusa
Em reunião com eurodeputados portugueses, o ainda presidente da República revelou que a partir de março voltará a ser militante do PSD. Marcelo Rebelo de Sousa recordou ter lidado com governos desde a esquerda mais extrema até ao suporte parlamentar mais à direita.
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou a eurodeputados portugueses, em Estrasburgo, que a partir de março retomará a sua filiação no PSD. O presidente da República destacou que iniciou o mandato lidando com o Governo mais à esquerda desde o 25 de Abril e que termina o mandato num contexto de Executivo com suporte parlamentar mais à direita.
Durante a reunião à porta fechada, Marcelo combinou elogios a PS e PSD com críticas subtis ao Chega, lembrando episódios como a votação do acordo Mercosul no Parlamento Europeu, que considerou prejudicial para Portugal. O chefe de Estado sublinhou que mantém relações cordiais com António Costa e Luís Montenegro, garantindo que não favorece qualquer partido.
Rebelo de Sousa defendeu o papel do centrão na política portuguesa e europeia e destacou a capacidade de convergência dos deputados. "Os portugueses fazem pontes impossíveis, plataformas que outros não fazem", afirmou, comparando os conflitos internos a pedras maleáveis que não ferem tanto quanto parecem. Marcelo reforçou a importância de cooperação entre partidos nas decisões vitais para o país e para a Europa.
Marcelo também falou do encerramento do seu ciclo na presidência. Referiu que se prepara para uma fase mais privada, com viagens pelo país, incluindo Madeira e Açores, e deslocações internacionais, como a ida a Madrid para ser condecorado pelo rei Filipe VI. "Estou a caminho do meu deserto", afirmou, resumindo o momento de transição e o fim da sua atividade política direta.

