
Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu, pela última vez, a mensagem de Ano Novo aos portugueses
Foto: Manuel de Almeida
Na última mensagem de Ano Novo enquanto presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou com otimismo que o "futuro será melhor do que o passado", sublinhando a necessidade de existir mais desenvolvimento e crescimento. E citou Eça de Queirós para aludir às qualidades e coragem dos portugueses.
Num discurso curto, de cinco minutos, o presidente da República escusou-se a fazer um balanço sobre o seu mandato em Belém e apontou ao futuro, em que já não estará em cena. "Ano novo, vida nova", expressão que utilizou duas vezes, a primeira para desejar paz na Ucrânia, no Médio Oriente e no Sudão. "Respeitando os valores e princípios da carta das Nações Unidas e o direito internacional e respeitando, sobretudo, a dignidade das pessoas. Um ano com mais desenvolvimento, mais justiça, mais liberdade, mais igualdade, mais solidariedade", declarou.
Depois, novamente, "ano novo, vida nova", mas cá para dentro: "Mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade e sempre mais tolerância, mais concordância e sentido de coesão nacional", referiu.
A poucos dias das presidenciais, apontou ao futuro com esperança e a certeza que será melhor do que o passado "com ideias, soluções e pessoas novas. É essa a natureza e a força da democracia". "O povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro com a esperança que seja diferente e melhor do que o passado", acrescentou.
O chefe de Estado atestou que essa garantia de um horizonte melhor está plasmado nos portugueses "nascidos ou acolhidos cá dentro ou lá fora que fazem todos os dias Portugal". E citou a personagem de Gonçalo Mendes Ramires, na obra "A Ilustre Casa de Ramires", de Eça de Queirós, que alude às qualidades e defeitos dos portugueses, para deixar ao de leve uma crítica a quem tem "a esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanara todas as dificuldades".
Qualidades e defeitos
E continuou: "Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa... Até aquela antiguidade de raça, aqui pegada à sua velha Torre, há mil anos... Até agora aquele arranque para a África... Assim todo completo, com o bem, com o mal, sabem vocês quem ele me lembra? Portugal".
No final atirou: "Com qualidades e coragem excecionais, que de longe superam os defeitos, assim somos há quase 900 anos, assim seremos sempre". A mensagem de 2027 terá um novo protagonista.

