
Debate entre Jorge Pinto e Marques Mendes foi marcado pela cordialidade
Foto: Francisco Romão Pereira / RTP
O debate entre os candidatos à presidência da República Marques Mendes e Jorge Pinto, este sábado, na RTP foi marcado pela cordialidade com que ambos expuseram as suas ideias, mesmo quando os temas abordados suscitavam naturais discordâncias. A eventualidade de uma revisão constitucional "drástica" e como deve o presidente lidar com a corrupção, foram os temas mais marcantes.
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Apesar da cordialidade evidenciada pelos dois candidatos, o debate deixou transparecer leituras opostas sobre a revisão constitucional, o combate à corrupção e o papel do presidente da República num momento de tensão política. Com estilos distintos, confrontaram prioridades e deixaram claro que veem o país a caminhar em direções diferentes.
A revisão da Constituição foi o primeiro ponto de rutura. Jorge Pinto alertou para o "risco real" de uma revisão "drástica", conduzida "apenas à direita", que possa pôr em causa direitos fundamentais. Disse esperar que o próximo presidente seja "um garante ativo" de que nenhuma maioria parlamentar ultrapassa "linhas vermelhas democráticas".
Foto: Francisco Romão Pereira / RTP
Marques Mendes rejeitou o cenário de alarme. Considerou que a Constituição "não está em perigo" e que o país precisa "menos de dramatização e mais de estabilidade institucional". Reforçou que, ao contrário do que Pinto teme, "não há qualquer risco de ataques aos direitos".
Olhares distintos sobre a corrupção
Outro eixo central foi a corrupção. Mendes voltou a prometer que, se for eleito, convocará um Conselho de Estado dedicado exclusivamente à reforma da Justiça, ouvindo Supremo, PGR e PJ, e que pretende medidas "de ação imediata" para acelerar processos e recuperar confiança pública.
Jorge Pinto defendeu que o país fala de corrupção "como naqueles países muito mais corruptos do que Portugal", e criticou abordagens que considera demasiado "punitivas e mediáticas". Propôs uma estratégia de prevenção, com "representantes politicamente intocáveis" e mecanismos de controlo mais fortes na origem dos processos, não apenas no fim.
O debate ofereceu ainda espaço para discutir o papel do presidente no atual clima político. Marques Mendes diz que não promoverá dissoluções e que a função presidencial deve ser "de estabilidade e mediação". O candidato apoiado pelo Livre contrapôs que o presidente não pode ser "mero árbitro silencioso" e insistiu que deve "usar todos os seus poderes sempre que estiverem em causa direitos sociais ou abusos de governação".
Portugueses na Venezuela preocupam
No capítulo dedicado às comunidades portuguesas, Marques Mendes e Jorge Pinto coincidiram na preocupação com a situação dos portugueses na Venezuela, que ambos classificaram como "merecedora de atenção permanente".
Jorge Pinto afirmou que, se fosse presidente da República, o que faria "com toda a descrição necessária, dada a importância e sensibilidade do tema", era junto do Governo, "insistir e assegurar que um plano de emergência estava já a ser tratado" para o caso de ser preciso "salvar estas pessoas, estes portugueses".
Marques Mendes concordou e sublinhou que, "evidentemente, o presidente da República deve estar permanentemente informado pelo Governo, justamente relativamente à delicadeza da situação e aos planos que devem sempre existir".

