
Primeiro-ministro partilhou mensagem de Natal esta terça-feira, dia 25
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Na tradicional mensagem de Natal do primeiro-ministro, António Costa defendeu que Portugal virou a página dos anos mais difíceis e está agora melhor, mas tem ainda muito trabalho pela frente, tendo de vencer "grandes desafios" como a demografia e a valorização do território.
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Mensagem de Natal de Costa foi "serena, realista e inconformada", diz PS
O PS considerou que a mensagem de Natal do primeiro-ministro, António Costa, foi "serena, realista e inconformada", defendendo que "ainda é preciso caminhar" apesar do "muito já foi feito" para melhorar a qualidade de vida dos portugueses.
"A mensagem do primeiro-ministro foi uma mensagem serena, realista e inconformada", sintetizou, em declarações à agência Lusa, o deputado do PS Hugo Pires.
Segundo o socialista, é uma mensagem na qual "o PS se revê na integra, com muita humildade", uma vez "que não está tudo feito, ainda é preciso caminhar muito, mas que muito já foi feito".
"Com muita humildade é preciso continuar a dar passos certos e seguros no caminho de uma melhor qualidade de vida dos portugueses", sublinhou.
Para Hugo Pires, a mensagem de Natal de António Costa foi serena porque Portugal vive "tempos mais sossegados, mais tranquilos", com "contas certas" e, "pela primeira vez neste século", com a economia a crescer "mais do que a média europeia".
"Depois realista porque, apesar deste Governo ter travado a fundo o caminho do empobrecimento que Portugal estava a seguir e sendo hoje inegável a melhoria das condições de vida dos portugueses, é preciso fazer mais", concordou.
Na opinião do deputado socialista "é preciso continuar a trabalhar para criar condições para haver melhores salários, trabalho digno", apontando ainda o investimento "em saúde, educação e infraestruturas" como objetivo.
"E queremos também que a continuação das políticas seja feita de forma sustentada, passo a passo, com passos seguros para que nenhum português tenha que viver outra vez e passar por aquilo que passou nos tempos da troika", garantiu.
A mensagem de António Costa aos portugueses foi "inconformada porque fala dos dois grandes desígnios" para o país, como a "valorização do território e demografia", justificou Hugo Pires.
Falta retirar consequências, avisa BE
"Entendemos que se devem retirar consequências de uma análise correta de dizer que há muitas coisas que precisam de ser melhoradas. Nós estamos de acordo em relação a essas questões que têm que ser melhoradas, mas as consequências têm que vir daí", defendeu a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, em declarações aos jornalistas na sede do BE, em Lisboa, numa reação à mensagem de Natal do primeiro-ministro.
Marisa Matias destacou que o primeiro-ministro "falou de risco de retrocesso" e deixou um aviso: "não é bom repetir em 2018 uma frase da direita de 2014".
"O risco de retrocesso que nós enfrentamos é o não crescimento e descorar as políticas públicas. Isso é o verdadeiro risco de retrocesso e por isso, nesse sentido, creio que não podemos, de maneira nenhuma, voltar a soluções que se provaram erradas e que justificaram na altura os cortes permanentes", alertou.
Sobre os "enormes problemas" que Portugal ainda tem pela frente, apontados pelo primeiro-ministro, a eurodeputada do BE lembrou que o partido tem "falado várias vezes em relação" aos mesmos, lamentando que António Costa não retire consequências "na sua totalidade".
"Desde logo não tivemos ainda uma rutura com as políticas de favorecimento do sistema financeiro e basta pensarmos no que tivemos nos últimos anos em relação ao Banif, ao Novo Banco, ao peso dos juros da dívida na nossa economia", criticou.
Por outro lado, segundo Marisa Matias, há "também a questão da obsessão com as metas do défice de Bruxelas".
"Eu creio que é positivo ter o défice baixo, toda a gente se preocupa com a consolidação das contas públicas, mas a verdade é que esta obsessão para ir para além das metas que são estabelecidas é aquela que nos deixa com um défice muito mais preocupante e que nos retira muito mais ao desenvolvimento da nossa sociedade que é o défice social", observou.
O défice social é a "verdadeira preocupação" do BE.
"De cada vez que se procura ficar além das metas o que estamos a fazer é desinvestir no nosso país, é não combater com todos os meios a pobreza que ainda existe em Portugal, é não investir no Serviço Nacional de Saúde, é não dar resposta aos cuidadores e cuidadoras informais que não têm ainda nenhuma resposta, é continuarmos a ter políticas que não promovem, por exemplo, a verdadeira coesão territorial, do que o primeiro-ministro falou", lamentou.
A dirigente bloquista quis ainda juntar um terceiro desafio àqueles "que foram elencados pelo primeiro-ministro", ou seja, "uma estratégia para as alterações climáticas".
"Nós não nos iludimos com os números também e não nos iludimos com aquilo que têm sido as políticas sistemáticas de favorecimento do setor financeiro. As nossas preocupações são outras", respondeu ainda Marisa Matias aos jornalistas.
PCP diz que discurso contraria ação do Governo
Num comentário à Lusa o dirigente comunista Jorge Pires disse que o PCP registou no discurso a questão do respeito pelos direitos, a melhoria das condições de vida e dos rendimentos, um caminho "associado ao papel e influência do PCP" e que desmente os que defendiam que poria em causa o crescimento económico e aumentaria o desemprego.
No entanto, nas palavras de Jorge Pires, há uma contradição entre o que o primeiro-ministro diz e pensa ser o caminho a continuar no próximo ano, e o que o Governo faz, "que vai no sentido oposto do que ele acha que deve ser o caminho para melhorar as condições de vida, aumentar o crescimento económico" ou repor direitos e rendimentos.
Tal é visível, disse Jorge Pires, em relação aos direitos dos trabalhadores, com o Governo a associar-se "ao grande patronato e fazer aprovar legislação laboral que vai exatamente ao contrário daquilo que é a defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores".
Também na melhoria das condições de vida dos portugueses se verifica, nas palavras do dirigente do PCP, há uma intervenção do Estado no sentido de reduzir responsabilidades nos serviços públicos, em áreas como os transportes, saúde ou a cultura.
As paralisações nos últimos dias no setor dos transportes têm a ver com essa falta de investimentos, exemplificou.
Pela sua parte, o PCP, garantiu Jorge Pires, vai continuar a intervir para responder aos problemas do país e vai "aproveitar todas as oportunidades para continuar a recuperar rendimentos e direitos".
CDS sublinha falta de coerência e diz ser a "única alternativa"
"Temos um primeiro-ministro que fala da demografia, do interior de Portugal, das empresas e da economia", mas que chumbou propostas do CDS-PP no parlamento para apoiar o investimento, baixar os impostos de quem trabalha no interior e às empresas que criam emprego, salientou Pedro Mota Soares à Lusa, realçando que o CDS "se apresenta hoje como a única alternativa ao PS".
Além disso, apontou, o Governo de António Costa "fez as maiores cativações e apresentou os piores serviços públicos, quer nos transportes, na saúde, até na segurança dos portugueses".
"É responsável pela maior carga fiscal de sempre, a começar pela gasolina e pelo gasóleo", indicou.
Mensagem de Natal do primeiro-ministro representa "conjunto de fantasias", diz PSD
PSD considerou hoje que a mensagem de Natal do primeiro-ministro representa "um conjunto de fantasias" e defendeu que António Costa devia ter tido "outro recato" quando falou de investimento de qualidade nos serviços públicos.
"Aquilo que se viu no discurso do primeiro-ministro foi um conjunto de fantasias, um conjunto de frases que ouvindo gosta-se de ouvir, mas é preciso interpretar aquilo que está por detrás daquilo que é dito", afirmou André Coelho Lima, vogal da Comissão Política Nacional do PSD, em conferência de imprensa, no Porto.
Pois, acrescentou, dizer que as contas estão "certas" quando a dívida pública "aumenta tanto" e que há um investimento público de qualidade escolhendo o Serviço Nacional de Saúde (SNS) como exemplo, "não é um bom serviço à credibilidade na política".
"É preciso dizer que os portugueses que estão há meses, há anos, a defrontar-se com dificuldades enormes particularmente nos serviços de saúde, o desinvestimento que é notório, que é enorme, que é sentido por todos e que é relatado por todos, esta destruição do Serviço Nacional de Saúde que tem acontecido, conhecer da parte do primeiro-ministro um comentário que temos que continuar o investimento de qualidade parece-nos, com toda a franqueza, que mereceria um outro recato, um outro cuidado da parte do primeiro-ministro de Portugal", defendeu André Coelho Lima.
O social-democrata sublinhou ainda que, em matéria de transportes, a solução do Governo "cinge-se apenas às duas principais cidades do país", ignorando o restante território.
