
Ministro José Manuel Fernandes em choque com o ICNF
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José Manuel Fernandes não gostou de críticas que lhe foram dirigidas. Respondeu com mensagem impetuosa.
O ministro da Agricultura e Pescas, apelidou elementos da hierarquia do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) de "mentirosos, cobardes e radicais". Num texto publicado na sua página da rede social Facebook cerca da meia-noite de ontem, escreveu exatamente que "há dirigentes do ICNF (poucos) mentirosos, cobardes e realmente radicais". As palavras foram a reação às queixas feitas ao jornal "Público", sob anonimato, de elementos do ICNF que não gostaram do tom da mensagem do governante num recente encontro com dirigentes daquele organismo.
Ausente nessa iniciativa, em que apenas estiveram a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, José Manuel Fernandes enviou um vídeo com uma mensagem que terá desagradado aos dirigentes, o que levou à denúncia.
Fontes ligadas ao ICNF afirmaram que o ministro terá falado em "relativizar a lei", que o instituto "estava a emitir muitos pareceres negativos" ou que contribuía para abrandar o "progresso do país".
No vídeo em causa, que o JN visionou, José Manuel Fernandes, pediu aos responsáveis do ICNF para serem "mais proativos" e apelou a mais rapidez na resolução de processos pendentes. "Muitas vezes a resposta é que a legislação não o permite. A pergunta que se deve fazer é: a legislação devia permitir?. Se devia, o que nós devemos fazer é alterar essa mesma legislação", disse diretamente.

"Nunca se esqueçam que os objetivos da sustentabilidade ambiental têm que ser contabilizados com a coesão territorial e também com o da competitividade. Daí o bom senso ser essencial. Porque quando não há bom senso damos espaço ao radicalismo e ao extremismo", acrescentou na mensagem gravada.
Na apresentação escrita do polémico vídeo, deixada na sua página pessoal no Facebook, José Manuel Fernandes não poupou o ICNF. "As afirmações são absolutamente falsas", acusou.
Disse ainda que os alegados dirigentes queixosos "são os mesmos (ainda que sejam muito poucos) que estão a empatar, a encravar, a adiar. No final de contas, são os maiores inimigos do ambiente, da democracia e do serviço público, acabando por manchar os excelentes exemplos que temos na administração pública".
E esclareceu que tudo não foi mais do que uma chamada de atenção para a "proximidade, bom senso, proatividade, rapidez e simplificação" dos mesmos projetos que ainda se encontram em fase de análise por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
"Presumo que a notícia do jornal Público seja verdadeira, o que significa que recolheram depoimentos anónimos em que alguém acreditou. Mas tal significa também que há dirigentes que mentiram", reforçou, sem se deter no tom.
José Manuel Fernandes terminou afirmando que, se as pessoas em causa, "tivessem vergonha, até porque mentem, demitiam-se", exortando-as, "pela missão que assumiram e pelo bem do ICNF, a que digam a verdade".
Vinho verde, críticas e chumbos
Não é a primeira vez que José Manuel Fernandes está no centro da polémica. Em outubro de 2024, já ministro da Agricultura e Pescas no primeiro Governo de Luís Montenegro, disse, numa entrevista à TSF, que "há regiões do país onde a longevidade é a maior e onde bebem verde tinto, por exemplo". Tipo de vinho esse, coincidência ou não, proveniente da região minhota natal do governante, natural de Vila Verde, no distrito de Braga. As palavras suscitaram fortes críticas por parte de especialistas em saúde. Em novembro passado, acusou funcionários públicos de procurarem razões para travarem candidaturas públicas e as chumbarem. "Alguns estão para chumbar e emperrar", denunciou.

