Ministro da Economia descarta "turismo a mais" e dependência excessiva do setor

O ministro da Economia Manuel Castro Almeida
Foto: Filipe Amorim / Lusa
O ministro da Economia descartou esta quinta-feira a ideia que existe turismo a mais em Portugal, assim como uma dependência excessiva do peso do setor na economia, defendendo até que há potencial para crescimento.
"Eu faço parte do grupo dos que defendem que não há turismo a mais, de maneira nenhuma. O turismo ainda tem espaço para crescer", disse Manuel Castro Almeida à margem da 36.ª BTL - Better Tourism Lisbon Travel Market, que decorre em Lisboa, que visitou esta tarde.
Ainda assim, o ministro da Economia e da Coesão Territorial admite que possa existir uma outra zona do país onde se note já uma saturação. Os empresários do setor têm apontado Lisboa e Porto, nomeadamente as zonas da baixa, zonas históricas como estando a chegar a um limite.
"Não nego que numa ou outra zona do país, numa ou outra semana do ano, possam ter uma sobrecarga excessiva de turistas. Mas isso são exceções", defendeu o ministro.
Castro Almeida diz que "na generalidade do país e na generalidade do ano, há ainda o potencial grande de crescimento do turismo. Queremos mais".
No entanto, o governante defende a estratégia que os empresários do setor têm vindo a desenvolver recentemente: mais do que crescer em número, o setor deve e quer crescer em valor.
"Mais importante do que ter mais turistas é ter mais faturação, mais valor acrescentado, porque, no fim do dia, o que eu quero é que quem trabalha no turismo e que quem trabalha para o turismo possa ter melhores rendimentos. Esse é que é o interesse final. E é por aí que se mede, digamos, a mais-valia do setor turístico", explicou.
Esta tem sido uma estratégia defendida por todos os agentes do setor, até porque Portugal tem um constrangimento que é a lotação da capacidade do principal aeroporto, o de Lisboa.
"Vamos ter um aeroporto a pensar nisso também [o projeto da nova infraestrutura aeroportuária em Alcochete]. O turismo pode crescer também em número de turistas, mas, sobretudo, temos que valorizar mais, aumentar o valor do produto turístico para que, no fim do dia, quem trabalha no turismo, sejam empresários, sejam trabalhadores, possam aumentar os seus rendimentos. Esse é o caminho certo. [...] Qualificar o turismo, aumentar, acrescentar valor àquilo que se oferece ao turista que nos visita", afirmou.
As receitas turísticas em Portugal atingiram os 29,131 milhões de euros em 2025, segundo dados do Banco de Portugal.
Questionado sobre o alerta de algumas instituições económicas, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) da eventual dependência excessiva do setor, que tem sido apontado como o grande motor da economia nos últimos anos, o ministro nega.
"Não, não concordo nada com isso, porque Portugal é um bom produto turístico. O turismo em termos mundiais vai crescer e Portugal pode estar na linha da frente desse crescimento porque tem um bom produto para apresentar", assegura.
O crescimento do turismo em Portugal não é artificial, está sustentado em qualidades intrínsecas que Portugal tem, características que Portugal tem, que fazem, atraem naturalmente mais turistas.
A BTL, considerada a maior montra do setor de turismo em Portugal, começou na quarta-feira em Lisboa, na FIL, com a organização a apostar numa edição recorde, estimando mais visitantes que os 82 mil de 2025, um maior impacto económico e mais internacionalização.
Na quarta-feira, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, disse à Lusa que há perspetivas positivas para o verão turístico em Portugal, com novas rotas de longo curso, estando o Governo a trabalhar para encontrar soluções que evitem, o regresso, de constrangimentos nos aeroportos.
