
Ministro Fernando Alexandre exonerou ainda, a seu pedido, o responsável pelo Portal das Matrículas
Ministro argumenta “falta de prestação de informações” pela responsável pelos concursos colocação de professores. “Completamente falso”, diz Susana Castanheira Lopes
O ministro da Educação exonerou, na sexta-feira, a diretora-geral da Administração Escolar (DGAE) por “falta de prestação de informações” ou “prestação deficiente das mesmas, quando consideradas essenciais para o cumprimento da política global do Governo”. “Completamente falso”, diz, ao JN, Susana Castanheira Lopes, que liderava a DGAE desde 2018. É substituída por Maria Luísa Oliveira.
Em comunicado, o gabinete de Fernando Alexandre explica que o despacho de exoneração daquela que “dirigia a entidade responsável pelos concursos de colocação de professores” produz efeitos a 26 de julho. Assumindo Maria Luísa Oliveira, que já exerceu o cargo entre 2014 e 2018, o lugar, em regime de substituição, segunda-feira.
“É completamente falso aquilo que é dito no despacho; não é verdade; não posso aceitar”, frisa a diretora-geral exonerada. Vincando, ao JN, a sua “longa experiência de Ministério [da Educação] para afirmar saber “bem como satisfazer os pedidos dos membros do Governo”. “Sempre na primeira linha da minha preocupação, a par da prestação de serviço às escolas”, diz Susana Castanheira Lopes.
Licenciada em Direito e docente entre os anos letivos 1980/81 e 2000/01, foi nesse último ano que entrou na DGAE, na altura como consultora. A 2 de abril de 2018 seria nomeada diretora-geral em regime de suplência e, a 1 de fevereiro do ano seguinte, em comissão de serviço por um período de cinco anos, renovado por mais cinco em novembro passado. Antes, tinha sido adjunta e chefe de gabinete dos secretários de Estado da Administração Escolar na governação de Passos Coelho.
“Jogada arriscada”
Exoneração que surge numa semana em se multiplicaram as notícias sobre o concurso de colocação de professores, com Fernando Alexandre a denunciar ao “Público” um excesso de seis mil vagas e os sindicatos a denunciarem casos de docentes colocados mas sem vaga. Apanhado de surpresa, o presidente da direção da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas fala “numa jogada arriscada” do ministro, porque “até meados de agosto vão sair as listas definitivas”.
Sublinhando “as qualidades pessoais e profissionais” de Susana Castanheira Lopes, que “ajudou muito as escolas a resolver os problemas”, Filinto Lima espera que esta decisão “não interfira no arranque positivo do próximo ano letivo”.
A seu pedido, foi ainda exonerado Carlos Oliveira, vogal do conselho diretivo do Instituto de Gestão Financeira da Educação. Era responsável pela gestão do Portal das Matrículas, cujas falhas obrigaram o Governo a alargar três vezes os prazos das inscrições.

