Oportunidades sem fronteiras, solidariedade sem limites
A imigração, em grande medida, deixou de ser notícia em Portugal. O nosso país já não é atractivo como ponto de destino, porque o emprego escasseia. Os fluxos migratórios guiam-se pelas oportunidades e nós temos poucas para oferecer.
Com as voltas da vida, perante uma crise económica e social gravíssima, voltámos à condição de país de origem de emigrantes. Estamos de novo a partir à procura de trabalho que a terra pátria nos recusa. Talvez agora voltemos a perceber como a mobilidade é vital para os mais pobres. É uma dinâmica que permite reequilibrar oportunidades e proporcionar o encontro entre oferta e procura de mão-de-obra. Para quem não se consola com o desemprego e o empobrecimento, só há, em tempos de dificuldade, uma alternativa: procurar novos mercados de trabalho, não importa quão longe. Por isso, a defesa de uma mobilidade humana regulada e segura é essencial e devemos promovê-la, para os que chegam e para os que partem.
Por outro lado, importa olhar com sentido solidário para os imigrantes que estão entre nós. São os mais vulneráveis, quer pela fragilidade do vínculo contratual, quer por trabalharem em sectores fustigados pelas dificuldades. Muitas vezes, mergulham na pobreza efectiva, resultante da falta de rendimentos do trabalho. Neste contexto, há um desafio: ser solidário. Estado e sociedade civil têm um papel a cumprir, sendo solidários com todos - nacionais e imigrantes - os que se vêem em apuros, neste tempo de crise.
* Ex-Alto comissário para Imigração e Diálogo intercultural
