O presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR), Artur Santos Silva, defende que os políticos devem prestar mais contas aos cidadãos, de modo a contrariar a "crescente distância" entre eleitos e eleitores.
A poucos dias do arranque oficial das celebrações dos 100 anos da implantação da República, tema sobre o qual o JN tem vindo a publicar diversos trabalhos, o responsável afirma que um dos objectivos das comemorações passa pela valorização "dos valores republicanos" e a sua projecção para o futuro, com destaque para a cidadania.
Reconhecendo que há "uma crescente distância" entre eleitos e eleitores, Artur Santos Silva defende que ambos têm de mudar as atitudes para renovar a sua relação.
"Quem tem o poder tem de prestar mais contas", explicando o que cumpriu ou não em relação ao que prometera e porquê ou, por exemplo, através de comunicações regulares à Assembleia da República, afirmou. Para Santos Silva, a prestação de contas, "quer dos autarcas quer dos deputados quer dos governantes, é um processo fundamental".
Por outro lado, os políticos têm também a obrigação de dar o exemplo. "São uma referência para os outros" e, como tal, "têm de dar o exemplo de que estão ali não para defender causas e interesses pessoais, mas para servir o bem público, a causa pública".
Aos cidadãos cabe outro papel. Para o coordenador das comemorações, os eleitores devem contrariar a tendência para a resignação e manter uma intervenção cívica "mais permanente", mobilizando-se em causas, até porque, sustentou, não chegam os modelos mais tradicionais de "votarmos uma vez e ficarmos à espera da próxima eleição para premiarmos ou penalizarmos quem anteriormente escolhemos".
