PAN critica "regime de exceção" para setor tauromáquico e quer mais fiscalização

Inês Sousa Real, deputada do PAN
Filipa Bernardo/ Global Imagens
O PAN criticou, esta quarta-feira, o que considerou ser um "regime de exceção" para o setor tauromáquico, apontando falhas na fiscalização do cumprimento de regras destes eventos e lamentando que atividades como o futebol não possam ter público.
Na declaração política do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), feita esta tarde na Assembleia da República, Inês Sousa Real acusou o governo de uma "total incoerência nos critérios" aplicados a atividades culturais e desportivas, nomeadamente no setor tauromáquico.
Segurando uma fotografia da praça de Touros Monumental Celestino Graça, em Santarém, no passado dia 26 de setembro, Inês Sousa Real criticou a falta de fiscalização no setor, alegando que as regras de distanciamento foram "ignoradas" tendo sido feito "o oposto do que se exige".
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"Para o Governo e a DGS [Direção-Geral da Saúde], do público do futebol, espera-se um comportamento indisciplinado, de gente que não se sabe comportar. Mas pasmem-se já nas touradas, essa atividade anacrónica, o governo já considera que o público se vá comportar como um autêntico anjinho", ironizou a deputada.
Acusando o setor tauromáquico de gozar de "um estatuto de autêntica impunidade", o PAN considerou que os deputados da Assembleia da República têm "fechado os olhos" ao "sofrimento animal" e às "inúmeras irregularidades do setor", fechando-os agora "à saúde, valor que tanto se falou durante esta crise sanitária".
"Se a tauromaquia já não devia ter lugar num contexto de normalidade sanitária, muito menos tem num contexto como aquele que vivemos, em que a sociedade é obrigada a enormes sacrifícios e privações, em que os cidadãos e cidadãs são privados de levarem as suas vidas com normalidade e os profissionais de saúde a serem expostos a um desgaste acrescido", rematou.
Confessando até ser contra touradas, o deputado socialista Eduardo Barroco de Melo frisou que o que estava em debate não era a atividade em si, mas as regras para eventos desportivos e culturais, defendendo a estratégia adotada pelo governo.
Para o PS, esta tem sido uma "posição responsável", permitindo um regresso gradual aos eventos desportivos e culturais sem ignorar as dificuldades que são colocadas a várias entidades culturais ou instituições desportivas.
Fernanda Velez (PSD) caracterizou de "doentia" a "obsessão" do PAN pelas touradas, contrapondo que a fotografia em causa não é deste ano e defendendo que a abertura de eventos desportivos e culturais deve ser feita sem exceções e com respeito pelas regras.
À direita, Ana Rita Bessa (CDS) confessou que "este assunto já cansa", argumentando que o setor tauromáquico negociou as regras de funcionamento com a DGS, e à esquerda, Paula Santos (PCP) lembrou a importância das atividades culturais e desportivas para a saúde mental da população, respeitando as regras sanitárias.
De acordo com as regras discutidas entre a Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) e a DGS, em eventos tauromáquicos, "deve ser garantida a existência de um lugar de intervalo entre cada lugar ocupado [exceto se coabitantes], cumprindo sempre que possível o distanciamento de um metro entre cada pessoa, na mesma fila", o que na prática resulta na possibilidade de ocupação das praças em cerca de metade da lotação habitual.
O documento publicado no 'site' do IGAC adverte, no entanto, que "nas praças onde a distância entre filas é inferior a 80 centímetros [referindo-se ao espaço do assento] deve ser garantida uma fila livre [sem ocupação] entre cada fila ocupada".
É igualmente obrigatória a realização de testes ao novo coronavírus aos forcados, com uma antecedência de 36 horas.
