
Horta Comunitária de Campanhã
Ivo Pereira / Global Imagens
Entre março de 2020 e março de 2021, a Lipor recebeu cerca de mil inscrições, mais 40% do que acontecia em anos anteriores.
Num espaço de terra ainda livre, Agostinho Moura vai plantando cebolo. A chuva e as geadas do inverno "estragaram muita coisa". A ervilha não medrou, mas este "agricultor" urbano consegue levar para casa alfaces, favas e couve. Agostinho diz que a horta comunitária "tem sido um escape em tempos de pandemia". E o interesse por este programa da Lipor, designado Horta à Porta, não pára de aumentar. Num ano, o número de inscritos aumentou 40%.
Se entre 2015 e 2019, a Lipor recebeu em média 600 inscrições por ano, entre março de 2020 e março de 2021, foram rececionadas cerca de mil inscrições. A forte procura levou a que a empresa que gere os resíduos urbanos do Grande Porto avançasse para a criação de mais espaços e a prestar mais formação de agricultura biológica e compostagem. E, como refere a Lipor, "nos tempos que vivemos a palavra de ordem foi a "reinvenção" e o Horta à Porta não foi exceção". As formações passaram a ser ministradas em formato e-learning, e quando possível em b-learning, sendo os conteúdos programáticos disponibilizados numa plataforma digital e terminando a formação com uma sessão síncrona ou presencial.
Habituados à terra
Ao mesmo tempo, talhões que estavam vagos devido a desistências estão a ser ocupados, como acontece na Horta de Gondomar, onde se encontra Cristina Castro. "Os meus pais tiveram quatro filhos e fomos habituados a trabalhar no campo e na altura não gostava nada. Hoje, estar na horta relaxa-me. Basta observar um pássaro que sinto-me logo melhor", conta a professora. Não muito longe dali, mas já no concelho do Porto, Paulo Monteiro também planta cebolo e semeia um pouco de feijão.
Habituado "a lidar com crianças", escuteiras do Agrupamento 9 de Santa Maria de Campanhã, sente saudades do colégio. "A horta permite, embora em confinamento, estar em segurança ao ar livre e também não pensar tanto no trabalho". Na Horta da Oliveira, são muitos os que, após semanas de tempo instável, voltam ao trabalho da terra.
Margarida Maria Mutango não esconde a satisfação de ter um talhão onde tira os mais variados legumes para fazer sopa para o netinho. "Venho para aqui todos os dias! É muito bom sair de casa, mas para um local como este, onde existe segurança", explica.
Esta é uma das 53 hortas urbanas, municipais e institucionais do programa Horta à Porta, iniciado em 2003, onde são disponibilizados 1834 talhões para cultivo, perfazendo um total de 12,5 hectares de espaço de produção alimentar, distribuídos pelos oito municípios associados da Lipor.
Cinco hortas que a Lipor prevê abrir este ano
Neste ano, a rede urbana de hortas será alargada e está prevista a abertura de pelo menos cinco novos espaços nos municípios da Lipor.
Horta de Paranhos já está a funcionar
A Horta Municipal de Paranhos foi inaugurada na sexta-feira e conta com 507 talhões. Os interessados podem candidatar-se online em www.lipor.pt/pt/sensibilizar/hortas-urbanas/inscricao-nas-hortas-urbanas.
