
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho
MÁRIO CRUZ/LUSA
O primeiro-ministro e presidente do PSD comparou na segunda-feira à noite a sua governação a um processo de cura de uma doença em que esteve determinado em aplicar a terapêutica apesar dos efeitos secundários.
Pedro Passos Coelho recorreu a esta imagem durante uma iniciativa da Juventude Social Democrata (JSD), em Cascais, depois de questionado por um jovem sobre o dilema entre fazer o que se considera correto e pensar no impacto das medidas.
"O objetivo que temos é o de vencer a doença, não é o de perguntar se as pessoas durante esse processo têm febre ou têm dor ou se gostam do sabor do xarope ou se o medicamento que tomam lhes faz um bocado mal ao estômago ou qualquer outra coisa, quer dizer, se os efeitos secundários de todo o processo por que se passa valem ou não valem a cura", afirmou.
"Quando nos queremos curar de alguma coisa, fixamo-nos muito nesse objetivo e levamos por essa via o nosso dilema de outra maneira que não levaríamos se achássemos que tínhamos aqui uma discricionariedade muito maior", acrescentou o chefe do executivo PSD/CDS-PP.
Passos Coelho começou por referir que tomou "muitas decisões" como primeiro-ministro "que tiveram um impacto grande na vida das pessoas: na vida de funcionários públicos, na vida de pensionistas, na vida de muitas pessoas que viviam daquilo que o Estado investia, do investimento público".
"E esse dilema eu resolvi desta maneira: nós temos de ter um Estado que seja sustentável para futuro. Se não o tivermos sustentável, então nós teremos de regressar ao dia em que tivemos de pedir ajuda externa. E nesse dia a fatura paga é muito superior, e a dor é muitíssimo maior", prosseguiu.
O primeiro-ministro acrescentou que agiu "como qualquer pessoa que conduz um processo de terapia", defendendo que nos últimos anos Portugal esteve sujeito a "uma terapêutica", num quadro de "escolha muito reduzida".
Passos Coelho considerou que qualquer Governo se pudesse "era mais simpático ou mais popular" e que nenhum executivo tem "qualquer prazer em desenvolver programas que provoquem dor social ou que provoquem contração da economia", nem governa para "magoar as pessoas" ou "perder eleições".
