
Passos e Portas estiveram juntos, com o seu estado-maior, na festa do Pontal
Luís Forra/Lusa
O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu, este sábado, a necessidade de "um resultado politicamente inequívoco" nas próximas eleições, dramatizando a importância da estabilidade governativa.
Dirigindo-se a "todos os portugueses" e não apenas aos sociais-democratas e independentes próximos dos partidos da coligação PSD/CDS-PP, Passos Coelho deixou o seu desejo para as próximas eleições: "que nas próximas eleições o resultado dessas eleições fosse um resultado politicamente inequívoco".
"Um resultado que nos permita governar para resolver os problemas pessoas e não andar à procura de como é que se resolve os problemas do Governo. Porque se o resultado não for inequívoco, o próximo Governo há-de ser seguramente um Governo cheio de problemas e isso seria um problema adicional para os portugueses", afirmou o líder social-democrata, na Festa do Pontal, na Quarteira, Algarve, que marcou a 'rentree' da coligação.
Na parte do discurso que 'arrancou' mais palmas, Passos Coelho pediu ainda aos portugueses para que decidam com "a cabeça e com o coração", colocando de parte qualquer "azedume, amargura e ressentimento".
Falando depois do líder do CDS-PP, Passos Coelho retomou um dos temas do discurso de Paulo Portas, sublinhando a necessidade da estabilidade política e pedindo aos portugueses que, depois de quatro anos a governar com dificuldades, deixem também a coligação governar "em tempos normais".
"Valerá a pena suscitar nas próximas eleições o problema político da estabilidade governativa, da confiança e segurança que um Governo precisa de ter para fazer o que é preciso", questionou o também primeiro-ministro, insistindo que é preciso aproveitar os próximos anos para "resolver os problemas das pessoas e não os problemas políticos de um próximo Governo".
Com muitos membros do Governo sentados nas mesas mais próximas do palco, Passos Coelho deixou ainda nota sobre algumas das conquistas dos últimos tempos, com o crescimento da economia, a redução do desemprego e da dívida, mesmo num ano de eleições,
"Hoje já não é preciso castigar os que trouxeram a 'troika'. Hoje podemos premiar os portugueses pelo trabalho que eles fizeram e dizer que temos muita esperança no trabalho que ainda vamos ter, nos próximos anos, para todos podermos viver melhor", vincou, sublinhando que não é preciso "nenhum eleitoralismo para poder servir Portugal e os portugueses", que hoje podem de "forma mais tranquila "reconciliar-se com aqueles que lutaram todos os dias por garantir um futuro melhor".
Sem dedicar grande espaço da intervenção aos ataques à oposição, Passos Coelho aproveitou a situação grega para lançar 'farpas' ao PS, lembrando as "histórias da carochinha" contadas quando o Syriza chegou ao poder de como seria bom para Portugal também fazer uma nova abordagem dos problemas.
"Esses hoje ninguém os ouve, desapareceram do nosso debate", disse.
No primeiro comício da coligação PSD/CDS-PP, realizado na Festa do Pontal, que todos os anos marca a "rentrée' política dos sociais-democratas, Passos Coelho não falou de propostas concretas e assegurou que a coligação não promete "céu e terra".
"Não há razão para euforias, não prometemos o céu e a terra, mas trabalho, dedicação e inconformismo", sustentou.
Portas criticou Costa
Antes do discurso de Passos, o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou que a campanha da coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) "não porá os portugueses uns contra os outros" e acusou o Partido Socialista de ameaçar a estabilidade do país.
"Quem quer ser primeiro-ministro não divide os portugueses entre nós e eles", afirmou o também vice-primeiro-ministro em resposta ao líder socialista, António Costa, no discurso da 'rentrée' política no calçadão de Quarteira, perante vários milhares de pessoas, acrescentando que, pela parte da coligação PSD/CDS-PP, a campanha vai ser "um exercício de esperança".
Paulo Portas declarou ainda que "mudança é poder ter a certeza de que não [se voltará] a cair em situações excecionais que levem a medidas excecionais" e "ter a certeza de que a confiança recuperada e que o sacrifício que os portugueses fizeram têm um sentido e permitirão uma vida melhor nos próximos quatro anos".
