
Petição vai ser debatida na Assembleia da República
Gonçalo Villaverde / Global Imagens
Os autores da petição “Nenhuma mulher portuguesa com cancro do ovário deixada para trás”, ouvidos esta sexta-feira no Parlamento, pediram aos deputados celeridade no acesso a uma medicação inovadora em primeira linha para todas as doentes.
A petição foi lançada em março e defende o acesso de todas as mulheres com cancro do ovário avançado a uma medicação inovadora em primeira linha. O fármaco já é utilizado em doentes com mutação BRCA, mas os restantes casos só têm acesso ao medicamento depois de ter havido uma recidiva. A petição já conta com mais de 15 mil assinaturas.
Claúdia Fraga, presidente do Movimento Cancro do Ovário e Outros Cancros Ginecológicos (MOG), ouvida na Comissão de Saúde, não compreende a demora do Infarmed em aprovar estes medicamentos inovadores, salientando que os mesmos já receberam luz verde da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). “Mais de 85% das mulheres com cancro no ovário não têm oportunidade de tratamento em primeira linha ao contrário do que acontece nos países mais desenvolvidos”, desabafou.
Para Claúdia, que já foi operada a um cancro do ovário em 2015, a questão é meramente “burocrática” e “não pode ficar na gaveta enquanto estão mulheres a morrer". “Há mais de um ano fizemos esse pedido ao Infarmed e ainda não tivemos resposta”, acrescentou. Em Portugal existem cerca 600 casos de mulheres com cancro dos ovários.
A presidente do MOG alertou ainda os deputados que não existe “rastreio possível da doença” e que está a ser diagnosticada em mulheres mais jovens. A não comparticipação dos medicamentos pelo SNS está a fazer com que existam mulheres a deslocaram-se a “Espanha e à Holanda buscar o medicamento” e a custear a sua terapêutica. A doente lembrou que "uma recidiva sai mais cara ao país" do que a comparticipação dos fármacos.
Os deputados presentes na audição mostraram-se solidários com a problemática apresentada pelo MOG. A deputada do PS, começou por agradecer a forma detalha e científica com que apresentaram toda a documentação e reconheceu que a preocupação é legítima porque o medicamento "vai melhor significativamente a vida de todas as mulheres com esta doença".
Do lado do PSD, João Dias Coelho lamentou que o Infamed esteja a "ultrapassar o prazo de aprovação dos novos medicamentos", mostrando-se sensível com todos os doentes. Já Pedro Frazão, do Chega, afirmou que a recusa da terapêutica só acontece porque o mais importante para o Governo é o "racional económico". Joana Cordeiro, deputada da IL, que dirigiu os trabalhos da comissão, também se mostrou solidária com a causa.
Cláudia Fraga salientou a urgência do acesso a estes medicamentos para todas as mulheres com cancro dos ovários: “Quando uma mulher morre, uma família fica destroçada e o país fica mais pobre". Como já ultrapassou as 4 mil assinaturas, a petição vai ser discutida na Assembleia da República, em data a agendar.
A audição ficou ainda marcada pela saída precoce da reunião da deputada do PS, Patrícia Faro, que mereceu críticas do movimento, uma vez que ficaram apenas os deputados do Chega, do PSD e da IL, que estava a presidir aos trabalhos da Comissão de Saúde. A deputada socialista explicou que como “não vive em Lisboa”, teria que se ausentar antes do fim dos trabalhos. O MOG também lamentou a falta de representação de todos os partidos na reunião.

