
Investigador João Carlos Winck, com um sensor de mediação da qualidade do ar
Carlos Carneiro / Global Imagens
Investigadores alertam para elevada concentração de CO2 em alguns espaços fechados e reclamam medidas.
Criar uma estratégia nacional para garantir uma boa qualidade do ar em espaços públicos fechados, com medidas para melhorar a ventilação, auditorias e incentivos à compra de sensores de medição e purificadores do ar. Esta é a proposta de um grupo de investigadores das universidades do Porto, Coimbra e Lisboa que, no final do ano passado, decidiu debruçar-se sobre a qualidade do ar no interior dos edifícios. Das medições realizadas pelos investigadores ao longo dos anos, em restaurantes, congressos, autocarros ou avião, a conclusão foi sempre a mesma: as concentrações de dióxido de carbono (CO2) eram superiores às desejáveis, devido à falta de ventilação.
"Sistematicamente, os valores estão acima de mil partes por milhão. Normalmente, abaixo de 800 é considerado seguro", explicou João Carlos Winck, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, revelando que a legislação pré-pandémica considera aceitável mil partes por milhão em termos de concentração de CO2.
Com base nos dados, os investigadores fazem um apelo em carta aberta. Entre as medidas sugeridas destacam-se a melhoria das taxas de ventilação e da utilização de equipamentos de filtração e purificação de ar, bem como a sensibilização da população para o tema.
João Carlos Winck sugere, por exemplo, a criação de incentivos à aquisição de sensores de medição e purificadores de ar. Segundo o docente, a monitorização da concentração de CO2 pode ser feita com recurso a sensores relativamente baratos. Em média, custam entre 100 e 200 euros.
Reduzir absentismo
"Sabemos que há um Fundo Ambiental para melhorar as condições energéticas dos edifícios, mas que eu saiba não há nenhum incentivo governamental para melhorar as condições de ventilação de todos os edifícios. Devia começar-se pelos espaços públicos. Alguns têm sistema de ventilação antigos que precisam de um upgrade", notou.
Com medidas para reduzir a concentração de aerossóis em espaços fechados, João Carlos Winck frisa ser possível minimizar os riscos da transmissão da covid-19 e de outros vírus. Tal trará ganhos laborais como a redução do absentismo. "A questão do ar tem-se valorizado mais no exterior. A qualidade do ar interior tem merecido menos atenção e acho que a pandemia nos mostrou que, efetivamente, é uma área onde tem de ser feito um maior investimento", referiu.
