
ESTELA SILVA / LUSA
O secretário-geral do PS anunciou, este sábado, uma redução do IVA na energia através da duplicação dos limiares de kilowatts para que os primeiros 200 consumidos por mês tenham a taxa mínima de 6%, beneficiando mais de três milhões de portugueses. Pedro Nuno prometeu ainda o fim das portagens nas ex-scuts.
Na Alfândega do Porto, onde decorreu o Fórum Portugal Inteiro para discutir o programa eleitoral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos apontou que a economia será a primeira prioridade do PS nas legislativas, lembrando que é necessário conciliar “experiência” e “renovação” que o PS consegue apresentar.
Perante uma sala cheia de militantes e de várias figuras socialistas, Pedro Nuno Santos começou por salientar os últimos anos de governação do PS. “Sabemos governar e governamos bem”, afirmou. “Não se passa o mesmo com o nosso principal adversário, que sentiu necessidade de se esconder numa coligação antiga, com pessoas antigas, propostas do antigamente. É a mesma proposta de sempre”, acusou.
Para o líder do PS, a Aliança Democrática recorre às “mesmas fórmulas de sempre”, recusando que o choque fiscal imputado pela coligação fará a economia “florescer”. “Reforma do Estado, mais uma fórmula antiga e repetida até à exaustão. Quem acaba por pagar sempre: caíram sempre nos funcionários públicos, sempre”, afirmou.
“O último Governo de PSD e CDS não foi assim há tantos anos e achou que tínhamos professores a mais. Hoje pagamos da forma mais dura o corte nas gorduras do Estado que fizeram há oito anos”, acusou.
A seguir, desvalorizou as propostas do IRC da AD porque só “beneficiam algumas empresas” e “não o tecido produtivo português". “Queremos reduzir em 20% a despesa com as tributações autónomas com as viaturas”, anunciou. Quanto à crise energética, Pedro Nuno reconheceu que muitas famílias têm muitas dificuldades em aquecer-se e, por isso, propõe duplicar o volume de consumo de eletricidade sujeito a IVA a 6% para que os “primeiros 200 Kilowatts consumidos por mês tenham a taxa de IVA mínima”. Segundo o líder socialista, esta medida vai abranger 3,4 milhões de portugueses.
“O PS não precisa de se reconciliar com os idosos”
Já virado para os mais velhos, Pedro Nuno Santos aproveitou para criticar mais uma vez o PSD e AD. “Que ninguém se esqueça: em 2011 a situação financeira foi argumento para muita coisa, mas o PSD disse aos portugueses que não iria ser necessário cortar pensões nem salários”, notou.
De acordo com o socialista, outras das medidas que vai versar no programa eleitoral é deixar de considerar os rendimentos dos filhos no acesso ao Complemento Solidário para Idosos (CSI). “Com os socialistas os mais velhos sabem que podem contar. Temos uma relação de confiança, sabem que cumprimos”, acrescentou.
No final, centrou atenção à coesão territorial para assumir que a utilização do comboio e alta velocidade será o "projeto mais estruturante que podemos ter nos próximos anos na ferrovia”, beneficiando o interior do país com a duração de viagens mais curtas. Ainda sobre o tema, Pedro Nuno anunciou também a intenção de “eliminar as portagens no interior do país e no Algarve”, Em causa estão cinco ex-SCUT (A4, A22, A23, A24, A25).
“Não vamos desconstruir nem destruir o que outros Governos fizeram. Não vamos inventar a roda, queremos é pôr a roda a girar mais rápido. Queremos que o país avance com mais energia e um novo impulso”, terminou.
Assis defende "choque organizacional"
Antes, no incío da sessão de encerramento Francisco Assis também deixou duras críticas ao "choque fiscal" que a direita propõe fazer no seu programa eleitoral.
“Eles falam de choque fiscal, falemos nós de choque organizacional. Não temos condições para choque fiscal nenhum. Um choque fiscal brutal significava uma coisa: destruição imediata do Estado social. E muito dificilmente o poderíamos reconstruir”. “A produtividade tem de ser um tema essencial”, afirmou.
Duarante a sua intervenção alertou ainda para o crescimento da extrema-direita. "Estamos a assistir a uma das maiores operações de falsificação da História que já vi na minha vida. A extrema-direita vem de forma sistemática e progressiva a espalhar um discurso sobre o nosso período democrático que assenta numa simples ideia”.
Para Assis o PS vai ter uma responsabilidade "especial" em "travar esse combate". "Não temos a pretensão de sermos únicos autores da democracia, tão pouco temos pretensão de dar lições de democracia. Não aceitaremos que de forma impune se instale essa ideia errada e mentirosa. PS foi sempre um partido essencial no processo de afirmação da democracia portuguesa”, vincou.

