
Branca Ferreira ainda não aderiu por falta de tempo
Pedro Granadeiro/Global Imagens
Revendedores e consumidores preferiam uma descida dos impostos dos combustíveis.
A complexidade do AUTOvoucher e o baixo valor oferecido aos contribuintes eram, na quarta-feira, no primeiro dia da iniciativa, motivo da falta de entusiasmo dos condutores. Os revendedores não esperam uma "corrida" às bombas e dizem que os cinco euros mensais são pouco. "Um desconto direto seria mais apelativo. Descer os impostos seria mais útil", declarou, ao JN, João Santos, vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC).
A informação sobre a adesão e funcionamento do AUTOvoucher parece ter chegado à maioria dos condutores, pela amostra recolhida pelo JN, no primeiro dia em que as compras nos postos de combustível davam direito a receber o reembolso mensal de cinco euros. Contudo, poucos se inscreveram em www.ivaucher.pt e outros acham que "o valor não vale a pena".
"Não aderi, nem vou aderir. Gosto de poucas complicações, ainda por cima esta é mais uma forma de o Estado controlar a vida dos cidadãos", explicou Fernando Aguiar, do Porto.
Branca Ferreira, de S. Mamede de Infesta, ainda não aderiu porque não teve "tempo para se sentar e ver o que é preciso fazer", mas acredita que "tudo o que seja nosso direito devemos usar".
132,5 milhões de euros
José Vieira, de Gondomar, informou-se previamente se a bomba de combustível era aderente ao AUTOvoucher. Os cartazes do programa ainda não tinham chegado ao posto da Estrada da Circunvalação, porém os funcionários asseguraram a viabilidade do AUTOvoucher naquele local. "Já estou inscrito, agora vou ver se funciona", explicou o condutor. "Os cinco euros não são grande ajuda, mas vou aproveitar. Os impostos deviam descer porque este sistema é muito complexo para as pessoas de mais idade", considerou.
A ANAREC também defende a descida de impostos e não acredita que o facto de bastar uma compra de uma chiclete para o contribuinte receber cinco euros na conta vá incentivar o consumo nos postos. "Isso, se acontecer, será residual", comentou João Santos. "O desconto direto seria mais eficaz para ajudar os contribuintes. Assim, é mais uma medida avulsa para tapar o sol com a peneira", criticou o vice-presidente da ANAREC.
"As medidas são dispersas e sem sentido. Um exemplo são os apoios dados aos transportes de mercadorias, que não se aplicam aos distribuidores de gás. Se o Governo baixasse o ISP, perdia dinheiro, assim só gasta 132,5 milhões", rematou.
Em "Diário da República", foi publicada na quarta-feira a autorização para a despesa com o AUTOvoucher: 53 milhões de euros este ano e 79,5 milhões em 2022.
