
Juntos há seis anos, os alunos de Beiriz catapultaram a escola para lugares de topo
Ricardo Junior/Global Imagens
No fundo é apenas uma forma diferente de organização. Chama-se "Fénix" e começou há seis anos na EB 2,3 de Beiriz, na Póvoa de Varzim. Hoje, os "frutos" são "bem visíveis": a escola é a melhor Básica do distrito do Porto nos exames do 6.ºano (com média de 70,34) e o projeto já foi replicado em mais de uma centena de escolas do país.
"Estes são os primeiros alunos que viveram toda a vida escolar no projeto Fénix. Em 109 alunos do 6.º ano, houve dois que reprovaram e 81% do total das notas dos alunos do 2.º Ciclo são positivas. Isto é que é sucesso escolar", afirma a diretora da escola, Ana Alexandra Marques, que sente agora "o peso da responsabilidade" de continuar o trabalho começado há seis anos por Luísa Tavares Moreira.
A ex-diretora de Beiriz e "mãe" do Fénix é, agora, a coordenadora nacional do projeto já em curso em mais de cem escolas. O que começou como uma ideia interna para combater o insucesso escolar é agora um modelo replicado para muitos.
"Vamos agrupando os alunos por dificuldades: por exemplo, se temos alunos com dificuldades numa matéria, retirámo-los das respetivas turmas para, em conjunto, reforçarem essa aprendizagem nalgumas horas por semana, em grupos mais pequenos, com maior proximidade (os ninhos)", explica Luísa Tavares Moreira, acrescentando que, dessa forma, os alunos são "permanentemente agrupados e desagrupados em grupos temporários para recuperar e consolidar aprendizagens". Dessa forma, quem tem maior dificuldade aprende melhor, num ambiente "mais protegido" e quem tem maior facilidade pode "voar mais alto".
A ideia é que "todos aprendam mais", sem que se deixem agravar as dificuldades e, por isso mesmo, o Fénix começa logo no 1.º Ciclo. Luísa não tem dúvidas: "É como numa doença, é mais barato prevenir do que tratar. A retenção de um aluno tem custos elevadíssimos, mais vale apostar em ajudá-los a aprender".
