Rio sugere que PS pode ter "receio" de que autarca de Setúbal "acabe por implicar" Governo

MIGUEL A. LOPES/LUSA
O presidente do PSD colocou esta sexta-feira a hipótese de o PS ter recusado ouvir no Parlamento o presidente da Câmara de Setúbal sobre o acolhimento de refugiados ucranianos por russos por receio de que este "acabe por implicar" o Governo.
"Não se entende, não consigo mesmo entender, a não ser que tenha receio de que o presidente da câmara de Setúbal, ao começar a esclarecer, acabe a implicar alguma coisa ligada ao Governo ou ao PS, só se for isso", respondeu Rui Rio, no Porto, quando questionado sobre a recusa dos socialistas em ouvir o autarca na Assembleia da República (AR).
O líder social-democrata lembrou que o PS teve uma posição diferente quando foi a Câmara de Lisboa, presidida na altura por Fernando Medina, a ser acusada de partilhar dados de manifestantes russos com a Rússia.
"Sinceramente não entendo (...) principalmente [porque] quando foi a questão também dos dados enviados, o evento denunciado à Rússia pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), o PS teve uma atitude exatamente ao contrário. Não disse que é a Assembleia Municipal de Lisboa que tem que tratar, disse, sim senhor, o dr. Fernando Medina, na altura presidente da CML, tem que vir aqui responder e ele foi", lembrou.
"Se o presidente da CML foi na altura responder por aquilo, este não vai por uma coisa, que a existir, ainda é mais grave", questionou.
Questionado sobre se achava que era uma questão de encobrimento, Rui Rio afirmou que pode achar que sim: "Eu não sei o que hei achar, mas posso achar isso [que é uma questão de encobrimento] e posso achar porque é tão absurdo que eu não sei o que achar", respondeu.
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O líder social-democrata considerou antes que o primeiro-ministro não violará o segredo de Estado se esclarecer se recebeu ou não relatórios das "secretas" sobre russos que acolheram refugiados em Setúbal, senão o Presidente da República "teria cometido um crime".
"Eu perguntei se recebeu ou não recebeu relatórios no sentido de alertar para o facto de haver um cidadão russo que estava a receber refugiados e a passar informação (...). Se é crime responder à pergunta se recebeu o relatório ou não, dizer sim ou não, se isso fosse verdade então o Presidente da República, ele próprio, teria cometido um crime ao dizer que não recebeu. Portanto, não faz sentido e [o Presidente da República] não cometeu crime nenhum, como é lógico", afirmou Rio.
O líder social-democrata respondia a questões sobre a justificação do primeiro-ministro para recusar dizer se recebeu relatórios dos serviços de informações sobre uma cidadão russo envolvido no acolhimento de ucranianos em Setúbal e sobre quem recaem suspeitas de ter partilhado informações com o regime de Moscovo.
"Uma coisa é o que o senhor primeiro-ministro refere relativamente ao segredo de Estado, outra coisa é dar resposta aquilo que eu pergunto, que não implica nenhuma violação do segredo de Estado", sustentou.
Segundo Rui Rio, "a resposta que o senhor primeiro-ministro dá está muito longe de ser aquilo" que lhe perguntou.
"O que eu perguntei vem no quadro da fiscalização que a Assembleia da República e os partidos da oposição devem fazer àquilo que é a atuação do Governo. Aquilo que nós pretendemos saber é se o Governo foi diligente ou não, portanto, se o Governo tinha a informação ou não tinha informação e se tinha informação porque é que atuou ou não atuou", apontou.
Questionado sobre a possibilidade de ser feito um inquérito parlamentar à questão, o presidente do PSD não põe para já essa hipótese: "Eu custa-me muito banalizar os inquéritos parlamentares, é uma posição de principio. Vamos ver como é que as coisas evoluem e vamos ver se mais à frente isso se possa justificar", respondeu.
Para Rui Rio, as diligências já efetuadas no sentido de esclarecer o que aconteceu em Setúbal já deram algumas respostas, embora tenha adiantado quais.
"Já houve uma serie de audições na primeira comissão, umas à porta aberta. outras com aporta fechada que vieram já elucidar algumas coisas. Aquelas que foram À porta fechada elucidaram coisas que foram à porta fechada, mas elucidaram", afirmou.
