
Seguro e Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais
Foto: Lusa
Corrida a Belém começa em clima de tensão, com António José Seguro a acumular apoios e André Ventura "nas tintas para os notáveis" e a "mexer com os interesses instalados".
A campanha oficial para a segunda volta das eleições presidenciais arranca esta terça-feira marcada por um clima de forte tensão, com António José Seguro a congregar cada vez mais apoios e André Ventura a apostar tudo no debate televisivo, o único na corrida a Belém.
O debate entre os dois candidatos é hoje, às 20.30 horas, com transmissão em simultâneo nos três canais generalistas - SIC, RTP1 e TVI - e também nos canais de informação SIC Notícias, RTP3, TVI Ficção e CNN Portugal, sendo que o confronto terá uma duração prevista de 75 minutos.
Este será o único momento de frente a frente antes da ida às urnas, depois de António José Seguro ter recusado participar no debate conjunto das rádios, que estava previsto para a mesma semana. As principais estações - Antena 1, Renascença, TSF e Rádio Observador - viram-se obrigadas a cancelar o confronto direto devido à recusa de Seguro, quebrando uma tradição com mais de uma década nas segundas voltas presidenciais.
Legitimidade reforçada
Seguro pediu na segunda-feira o máximo possível de votos para sair da segunda volta com "legitimidade política reforçada" e prometeu uma "campanha limpa", mostrando-se feliz com os apoios, mas avisando que "ninguém o captura".
No final de uma reunião com especialistas sobre prevenção e combate à corrupção, em Lisboa, o candidato apoiado pelo PS foi questionado sobre as mais recentes intenções de voto que recebeu, desde logo do antigo presidente da República Cavaco Silva, mostrando-se "feliz por virem cada vez mais apoios".
Já André Ventura recusou comentar os vídeos que mostram um deputado do Chega num autocarro com elementos do grupo neonazi 1143 para uma manifestação anti-imigração, atacando a Comunicação Social.
Numa arruada na Baixa da Banheira na segunda-feira, o presidente do Chega optou por atacar os jornalistas: "Acho que nós devemos é falar de um vídeo que está a circular de disparos ao pé de crianças", vincou, alegando que parte da Comunicação Social é "dominada" pela Esquerda e acusando-a de querer proteger criminosos.
"Bandidagem"
Na mesma arruada em que falou de "bandidagem" e de querer "pôr o país na ordem", o candidato não teceu uma única palavra sobre essa viagem do deputado do Chega com elementos do grupo extremista, que foi recentemente alvo de uma grande operação da PJ, que levou à constituição de 37 arguidos, suspeitos de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.
Antes, André Ventura tinha endurecido o seu discurso, rejeitando a "conversa do moderado", e prometido mexer nos interesses "das elites". "Passámos 50 anos com esta conversa do moderado, a conversa do fazer tudo para agradar a todos, a conversa do não querer mexer em nenhum dos interesses. Não me candidataria a estas eleições se não quisesse mexer nos interesses instalados", disse.
