Seguro mostrou que eleitores "confiam em quem quer construir" e "rejeitam quem quer destruir"

Foto: José Coelho/Lusa
O secretário-geral do PS afirmou, este sábado, que o resultado de António José Seguro na primeira volta das presidenciais mostrou como combater movimentos radicais e que os eleitores "confiam em quem quer construir" e "rejeitam quem só quer destruir".
Na intervenção de abertura da reunião desta manhã da Comissão Política Nacional do PS, que foi aberta à comunicação social, José Luís Carneiro centrou-se no primeiro lugar conseguido pelo candidato apoiado pelos socialistas na primeira volta das eleições presidenciais para enfatizar que o resultado de Seguro é uma "vitória de uma forma de estar na política que privilegia o diálogo e os consensos".
"Uma forma de fazer política a partir das causas, defendendo as causas e não a partir dos casos que procuram minar a credibilidade das instituições. É uma forma de fazer política que é capaz de estar muito além da representação partidária", frisou, acrescentando que Seguro mostrou também como se "combate e ganha aos movimentos mais radicais e antidemocráticos".
O líder do PS sublinhou que o PS "estará disponível para o diálogo interinstitucional e para construir soluções de política duradoura e consensualizadas no campo democrático" em áreas como a política externa, defesa, justiça e segurança interna, para enfatizar de seguida que os "atuais resultados" mostram que os eleitores "preferem um perfil de quem sabe critica o que está mal, mas também sabe apresentar propostas para responder às necessidades das pessoas".
Depois de se mostrar disponível para o diálogo, o líder do PS assegurou que não houve mais consensos devido "ao Governo, que não tem tido a capacidade para auscultar, dialogar e construir soluções de compromisso com o Partido Socialista".
"As pessoas confiam em quem quer construir. As pessoas rejeitam quem só quer destruir. É o que temos vindo a fazer, todos em conjunto", salientou.
Carneiro apelou a todos os militantes, simpatizantes, deputados e dirigentes do PS a "entregarem-se à segunda volta com todo o empenhamento e sentido de compromisso com Portugal", argumentando que "devem fazê-lo não apenas pelo PS", mas "sobretudo por Portugal e pela democracia".
Na intervenção, o líder socialista defendeu que o PS apoiou António José Seguro "no tempo certo e no quadro do calendário" definido pelo partido quando o elegeu para secretário-geral.
Carneiro iniciou o seu discurso, que durou menos de 20 minutos, lembrando que a ordem internacional, baseada nos princípios do multilateralismo e da integridade territorial, vive um "dos piores momentos desde que foi erguida depois da Segunda Guerra Mundial", e sublinhou a importância de o país ter um presidente da República que tenha a "coragem lúcida de defender" os direitos humanos e uma visão multilateral.
Defendeu também que o próximo presidente não deve "em circunstância alguma confundir a sua função com os poderes legislativo, executivo ou judicial", mas alertou que "há quem o queira fazer e proclame que o quer fazer".
Argumentou ainda que o país deve ter um chefe de Estado que assuma o papel principal no "diálogo entre cultura, territórios e povos" e não alguém, "como já foi feito por um também candidato a Presidente da República" que queira "atacar os representantes desses povos", numa crítica a André Ventura, adversário de António José Seguro na segunda volta das presidenciais.
A Comissão Nacional do PS reúne-se para aprovar a calendarização do XXV Congresso e das eleições diretas para a liderança do partido, estando também prevista uma análise da situação política, a definição da data do congresso e das eleições para secretário-geral e uma intervenção aberta de José Luis Carneiro.
Este encontro realiza-se dias depois da primeira volta das eleições presidenciais, em que o candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, foi o mais votado, com 31,1% dos votos.
