
Constrangimentos nos sistemas informáticos podem condicionar consultas e cirurgias
Foto: Pedro Correia
O sistema informático do SNS esteve com problemas desde quarta-feira à tarde e em muitas unidades os médicos não conseguiam aceder à ficha do doente para passar exames ou medicação, revelou a Federação Nacional dos Médicos (FNAM). Situação ficou totalmente normalizada esta quinta-feira às 12.15 horas.
Em declarações à Lusa, a presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, explicou que os problemas começaram ainda na tarde de quarta-feira, com o sistema a ficar muito lento, e durante a noite ficou inoperacional.
"Neste momento em muitas unidades ainda não é possível aceder à ficha do utente", disse ao início da manhã, explicando que os problemas afetam tanto hospitais como centros de saúde.
A presidente da FNAM lamentou, em entrevista à estação televisiva SIC, que as falhas sejam "quase diárias", prejudicando a atividade médica no país.
Em resposta à Lusa, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) explicaram que os constrangimentos resultaram de uma atualização realizada pela NOS no software da Rede Informática da Saúde (RIS), que provocou instabilidades nos sistemas de informação, "afetando alguns sistemas de apoio dos cuidados de saúde, nomeadamente, na Prescrição Eletrónica Médica (PEM)".
"As equipas técnicas dos SPMS estão, juntamente com o operador externo, a tentar resolver a situação", acrescentaram.
O funcionamento do sistema informático do SNS ficou totalmente normalizado pelas 12.15 horas, segundo informaram posteriormente os SPMS.
"Inoperância governativa"
A FNAM considera tratar-se de um exemplo de "inoperância governativa" e da falta de investimento na modernização informática da Saúde, lembrando que "o sistema tem falhado diversas vezes".
"Isto acaba por acontecer todos os dias, não acontece de uma forma tão generalizada, mas todos os dias os sistemas falham e, no fim, quem sai prejudicado são os doentes, com consultas atrasadas, às vezes até mesmo canceladas. É inaceitável", acrescentou.
Contactada pela Lusa, fonte da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra disse que o problema afetou sobretudo os cuidados de saúde primários, no acesso ao processo dos doentes, adiantando que, pelas 10.20 horas, ainda havia alguns constrangimentos e que a situação estava a ser regularizada faseadamente.
A ULS Santa Maria explicou, por seu lado, que a falha não atingiu nenhum dos dois hospitais (Santa Maria e Pulido Valente) porque trabalham com um sistema diferente, mas afetou os cuidados de saúde primários, que pelas 9.45 horas estavam a começar a repor a normalidade.
Fonte da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro disse ter sentido alguns constrangimentos pontuais e que, pelas 11 horas, já estava tudo normalizado.
Também no Centro Hospitalar Santo António, no Porto, houve constrangimentos, mas pelas 11 horas já estava tudo a funcionar normalmente.
No Grande Porto, entre as várias ULS contactadas, também Vila Nova de Gaia/Espinho e São João confirmaram alguns constrangimentos e impacto sobretudo nos cuidados de saúde primários, mas pelas 10.30 horas estavam já ultrapassados.
Os problemas que afetaram o sistema informático do SNS desde quarta-feira à tarde causaram "pequenos constrangimentos" no hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo. Em declarações à agência Lusa, fonte da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) referiu que "foram de situações pontuais" e que a "normalidade foi totalmente restabelecida cerca das 9 horas".
