Sondagem diária: Da Spinumviva ao Orçamento, Seguro é quem está mais apto a gerir crises
Análise de Pedro Emanuel Santos e gráficos de Inês Moura Pinto
No terceiro dia da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, os portugueses deram a conhecer que confiam mais em António José Seguro enquanto presidente da República para dominar crises políticas, diplomáticas e estratégicas. André Ventura, apesar de ter recuperado ligeiramente nas intenções de voto na amostra desta quinta-feira, não obteve a confiança dos inquiridos em nenhum dos quadros apresentados.
A unanimidade em torno de Seguro no que diz respeito à forma de lidar com casos sensíveis foi obtida no seguimento de diversas questões concretas. Como, por exemplo, sobre quem, ocupando a chefia do Estado, estaria melhor preparado para tratar uma situação política idêntica à da Spinumviva, que envolveu o primeiro-ministro, Luís Montenegro. As respostas foram claras, com 67% das pessoas ouvidas pela Pitagórica a garantirem que o candidato oriundo do PS seria o mais indicado, ao passo que Ventura não recolheu mais do que 19%.
Seguro (75%) também foi apontado como o mais hábil a resolver um eventual chumbo do Orçamento do Estado, se lhe calhasse em mãos um cenário como aquele em que se viu envolvido o atual presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no segundo Governo do socialista António Costa e que conduziu à dissolução do Parlamento e à convocação eleições legislativas antecipadas. Mais uma vez, Ventura ficou atrás a grande distância: 17%.
Seguro quebra na Saúde e segurança
André Ventura subiu ligeiramente a sua média quando o assunto foram as forças de segurança, de que fala recorrentemente, e um hipotético conflito prolongado no interior das mesmas, com 26% a nele confiarem para resolver o problema, contra 67% de António José Seguro.
Foi na Saúde, um dos temas caros que tem trazido para a campanha, nomeadamente repetindo que um dos seus objetivos se for eleito é trabalhar para um pacto alargado para o setor, que Seguro caiu com algum estrondo. Apenas 56% dos portugueses entendem que ele teria mais capacidade do que Ventura (31%) para pressionar o Governo a mitigar situações como o caos nas urgências e as dificuldades de acesso ao SNS, entre outras.
Ainda no que diz respeito a pressões, mas a um nível geral e feitas no sentido de alterar o rumo de Portugal nos próximos anos, Ventura também pulou nas preferências (38%), conseguindo encurtar distâncias para o rival (52%).
No plano internacional, e quando confrontados com o quadro de uma crise diplomática envolvendo pressões dos Estados Unidos para Portugal ceder mais controlo em relação aos Açores, António José Seguro foi considerado o indicado para melhor defender os interesses do país (65% para 24% do adversário).
Ligeira descida do favorito
A sondagem desta quinta-feira, curiosamente a primeira em parte realizada após o único debate televisivo entre os candidatos à Presidência da República, dá conta que António José Seguro desce quase 3% nas intenções de voto, o que contrasta com a subida, embora ténue, de André Ventura. Ainda assim, a diferença entre ambos é superior a 30%.
Sem distribuição de indecisos, Seguro mantém-se firme na liderança, com 59% das escolhas dos inquiridos pela Pitagórica, menos 2,9 pontos percentuais em relação aos 61,9% desta quarta-feira. Ventura, por sua vez, tinha ontem 26,2% e alcança 28% na mais recente amostra, um aumento de quase dois pontos percentuais.
Apesar desta variação, é ainda cedo para perceber se o crescimento de André Ventura e o decréscimo de António José Seguro se trata de uma tendência sólida ou para aquilatar se se verificou apenas um caso episódico sem influência no que está por acontecer de campanha eleitoral, com cerca de uma semana até à segunda volta das presidenciais, a 8 de fevereiro.
Uma coisa é certa, Seguro continua destacadíssimo (90%) como o candidato que os inquiridos acreditam que irá vencer e conquistar a presidência. A taxa de indecisos é também residual e pouco tem variado desde o início das sondagens da Pitagórica. Em três dias baixou apenas uma décima (de 7,3% para 7,2%), o que dá a entender que os portugueses já sabem em quem vão votar e que dificilmente irão alterar a sua escolha até às eleições.
Jovens são os mais indecisos
A faixa etária que reúne mais indecisos é a dos jovens entre os 18 e os 34 anos (8,8%), geralmente onde o Chega e André Ventura têm recolhido mais simpatias. São as mulheres (8,2%) quem mais ponderam o seu voto em relação aos homens (6%). E é a Grande Lisboa (9,9%) a zona que concentra a fatia substancial de quem ainda não sabe onde colocar a cruz no boletim, ao passo que os mais decididos são os residentes na região Norte (apenas 5,4% de indecisos).
A sondagem diz ainda que a palavra responsabilidade é a mais associada pelos eleitores ao sentimento que os fará ir às urnas, assim como os termos estabilidade e a esperança. O medo, a mudança e a revolta são as condições que menos suscitam o exercício do direito de voto. A firmeza no voto está também garantida a esta distância das eleições, com 59% a assegurarem que a escolha será em António José Seguro e 28% em André Ventura.
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (26, 27 e 28 janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI - Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1259 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,29%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

