Sondagem diária: Na reta final da campanha, Ventura afunda e Seguro é cada vez mais favorito
Análise de Delfim Machado e gráficos de Inês Moura Pinto
Apenas um candidato chega ao fim da campanha eleitoral com esperança de vencer, a julgar pelo que dizem as sucessivas sondagens diárias da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Nesta décima e penúltima entrega, António José Seguro (53,5%) mantém larga vantagem sobre André Ventura (28%), apesar de o líder do Chega ter conseguido convencer eleitores de Cotrim Figueiredo, Marques Mendes e Gouveia e Melo.
O candidato apoiado pelo PS surge como favorito numa altura em que se queimam os últimos cartuchos de uma campanha atípica que não inverteu, nas sondagens, a preferência dos portugueses. António José Seguro tem uma vantagem de 25,5% sobre o adversário, o que corresponde a quase o dobro das intenções de voto. No último dia a distância alargou-se, não porque Seguro tenha conseguido muito mais intenções de voto, mas sim porque Ventura desceu 1,5 pontos percentuais.
Nas quase duas semanas de campanha, o candidato socialista esteve sempre em sentido descendente - perdeu 7,4 pontos percentuais desde 26 de janeiro -, mas André Ventura nunca conseguiu descolar e ultrapassar a barreira dos 30%.
Socialista ganha em toda a linha
Os resultados da Pitagórica dão Seguro a vencer em todas as idades, regiões, classes sociais e entre homens e mulheres. Ainda assim, a vantagem é maior nuns casos do que noutros. António José Seguro é mais forte a convencer o eleitorado feminino do que o masculino, sendo que André Ventura consegue 33% das intenções de voto dos homens, contra 47,1% do socialista.
Na estratificação por idades, a maior percentagem de Seguro é entre os mais velhos e a de Ventura situa-se nos inquiridos que têm entre 35 e 54 anos. Por regiões, é no Norte que o socialista é mais forte (56,4%, contra 27,9% de Ventura), e o líder do Chega obtém mais preferências no Sul e ilhas (29,8%), apesar de também perder nesta região para os 52,9% do adversário. Por classes sociais, o socialista domina entre os mais ricos (60,1%, contra 22,5% de Ventura) e o líder do Chega melhora no eleitorado mais pobre (33%, contra 49% de Seguro).
Campanha: Ventura conquistou à Direita
Com André Ventura em queda e Seguro estagnado, neste penúltimo dia de sondagens, quem aumentou foram os indecisos (8,9%) e os nulos ou em branco (9,6%). A percentagem dos que não sabem em quem vão votar aumentou, no último dia, 1,1 pontos percentuais. Os indecisos são sobretudo mulheres, acima dos 35 anos, que vivem no Centro, Sul ou Ilhas e pertencem à classe média. Se os votos em branco, nulos e dos indecisos desta sondagem fossem distribuídos na mesma proporção das intenções de voto, António José Seguro teria um resultado de 65,6% e André Ventura ficaria pelos 34,4%.
Talvez porque as sondagens o refletem desde o início da campanha, 91% acham que será António José Seguro a vencer no dia 8, enquanto apenas 5% apostam em André Ventura.
No início da campanha, havia a dúvida sobre em quem iam votar os eleitores de Cotrim Figueiredo, Gouveia e Melo e Marques Mendes. Na altura, as sondagens indicavam forte pendor destes eleitores para António José Seguro, mas a campanha transferiu uma parte destes votos para André Ventura e para os indecisos.
No caso dos eleitores de Cotrim, 60% diziam que votariam em Seguro na segunda volta, mas essa percentagem baixou para 40%, na sondagem desta quinta-feira. Neste caso, a perda foi diretamente para André Ventura, que duplicou as preferências entre os que votaram Cotrim na primeira volta. O mesmo aconteceu com os eleitores de Henrique Gouveia e Melo que continuam maioritariamente com o candidato socialista, mas 18,5% estão indecisos e as indecisões duplicaram durante a campanha. Com os votantes de Marques Mendes também se assistiu a uma diminuição das preferências por Seguro, sendo que neste caso foi transferida uma parte das preferências, ao longo da campanha, para André Ventura.
Seguro melhor preparado
Além de liderar as intenções de voto em todos os estratos sociais, etários e geográficos, António José Seguro também é visto como o mais bem preparado para atuar em situações de intervenção do presidente da República. Seria o melhor preparado para lidar com uma falha grave de serviços públicos (67%), para gerir uma crise caso houvesse falhas na coordenação (64%), para resolver a tensão social motivada pela inflação (68%), para pressionar o Governo no caso de uma crise (53%). Nestas questões, André Ventura não vai além dos 26%, com exceção da pergunta sobre quem pressionaria mais o Governo no caso de uma crise, em que obtém 36%.
Segundo os inquiridos, o candidato socialista também estaria melhor preparado para defender o país perante uma crise económica internacional (67%) e para recuperar a confiança dos portugueses (68%). Foi também António José Seguro que teve a atitude mais adequada face à situação provocada pela tempestade (46%), embora 14% defendam que foi André Ventura. Os restantes não sabem, não respondem, acham que foram ambos ou nenhum.
Governo mal na reação às tempestades
Quanto ao Governo, não sai bem da fotografia criada pelas tempestades dos últimos dias. Tal como na quarta-feira, uma boa parte (44%) dos portugueses acha que a resposta do Governo à situação foi "negativa" ou "muito negativa", ao passo que só 24% a consideram "positiva" ou "muito positiva". A única boa notícia para Luís Montenegro é que esta avaliação não é exclusiva desta calamidade. Quando questionados sobre se o atual Executivo está a lidar pior ou melhor com esta situação em comparação com crises anteriores, 54% dos inquiridos afirmam que é "de forma semelhante", com 19% a considerarem que é "pior" e 18% "melhor".
Quanto ao estado do país no dia 9 de janeiro, após as eleições, os portugueses estão incertos. Questionados sobre se o país estará dividido ou unido, 24% preveem que haverá divisão, 23% que estará unido e 45% dizem que tudo depende do candidato que vencer.
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (2, 3 e 4 de fevereiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI - Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1225 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,63%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

