Sondagem diária: Portugueses concordam com neutralidade de Luís Montenegro
Análise de Pedro Emanuel Santos e gráficos de Inês Moura Pinto
Com António José Seguro a alargar ligeiramente a vantagem confortável sobre André Ventura no segundo dia da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, o destaque vai para a revelação de que a decisão de Luís Montenegro não manifestar apoio a nenhum candidato na segunda volta é apoiada por quase metade dos portugueses.
Os dados são claros: 46% dos inquiridos disseram concordar com a intenção manifestada por Montenegro logo na noite da primeira volta, de não indicar sentido de voto aos militantes e apoiantes do PSD para o ato eleitoral de 8 de fevereiro por, segundo justificou, o partido "não estar representado" em nenhum dos concorrentes presentes na ronda decisiva à Presidência da República. De então para cá, o primeiro-ministro tem procurado fugir à questão e mantém firme a postura de não revelar a sua preferência pessoal, institucional e enquanto líder partidário, concedendo, neste último papel, liberdade de voto aos eleitores sociais-democratas, cujo candidato oficial, Luís Marques Mendes, ficou em apenas quinto lugar no primeiro confronto.
Também questionados sobre se e que apoio deveria Luís Montenegro declarar para a segunda volta, os portugueses mantiveram-se firmes ao apontarem que deve manter a neutralidade (55%) - a variação de 26 para 27 de janeiro neste campo foi de apenas 1%, o que demonstra solidez.
Caso tivesse optado pela indicação de voto num dos dois candidatos, é também clara a opinião de que esse endosso de Montenegro deveria inclinar-se sem margem de indecisões para um dos lados, com Seguro a recolher boa parte das preferências (34%) e Ventura a não alcançar sequer os dois dígitos (8%).
Desacordo com candidatos derrotados
No que diz respeito aos candidatos que não passaram à segunda volta, os portugueses ouvidos pela Pitagórica preferiam que tivessem referido o apoio claro a um dos adversários. Foi considerado que João Cotrim Figueiredo (43%), Gouveia e Melo (45%) e Marques Mendes (49%) poderiam estar com António José Seguro. Até à data, só Marques Mendes declarou que o faria - Cotrim disse apenas que não vai votar em André Ventura e o almirante mantém-se em silêncio.
Ventura também não conseguiria dinamizar entre os ex-concorrentes, com apenas 10% a entenderem que Cotrim Figueiredo o devia apoiar, contra 8% e 7% a aludirem o mesmo em relação, respetivamente, a Marques Mendes e a Gouveia e Melo.
Semelhante é também a percentagem dos que assinalam a neutralidade como a melhor decisão dos três que ficaram pelo caminho até Belém: 36% Marques Mendes, 37% Gouveia e Melo e 38% João Cotrim Figueiredo. Ou seja, a variação entre uma posição em branco e a indicação clara de voto para a segunda volta dos que ficaram abaixo do segundo lugar na primeira tem um intervalo de cerca de 10%.
Mais firme demonstra ser a rejeição por André Ventura, com 67,8% (mais uma décima em relação à sondagem de ontem) a dizerem que jamais votariam nesta opção, ao passo que o adversário viu descer 21,2% para 20,2% tal taxa igualmente de um dia para o seguinte.
Seguro consolida números
Com a campanha para a segunda volta das presidenciais oficialmente em marcha, arrancou esta quarta-feira, dia 28, António José Seguro segue destacadíssimo nas intenções de voto e parece ter a vitória reservada. Sem distribuição de indecisos, de segunda para terça-feira Seguro subiu 1%, de 60,9% para 61,9%, enquanto André Ventura desceu de 26,5% para 26,2% e parece não estar a conseguir agregar muito mais simpatias dos que as conseguidas na primeira volta, quando chegou aos 23,5%. Nesse concreto, Seguro, que a 18 de janeiro fez 31,1%, aumenta a votação praticamente para o dobro.
A convicção dos eleitores em relação ao triunfo de Seguro é óbvia (90%), com o candidato oriundo do Partido Socialista a recolher mais simpatias entre as mulheres (69,4%) e na faixa etária acima dos 55 anos (66,6%). Ventura, tal como sublinharam amostras anteriores, é claramente favorito entre os homens (34,8% para somente 18,5% do universo feminino de votantes). E tem eleitorado cimentado no intervalo entre os 35 e os 54 anos (30,5%), não longe dos jovens dos 18 aos 34 (29,4%). A região centro é que mais nele confia para presidente da República (29,6%).
Ventura não capta eleitores
Certa é a decisão dos portugueses de irem às urnas a 8 de fevereiro: 94% garantem que vão votar. Aliás, apenas 1% assegura que vai abster-se. Os que não votaram na primeira volta em António José Seguro e André Ventura também parecem saber sem hesitação quem vão escolher. Sessenta por cento dos que optaram em Cotrim vão agora decidir-se por Seguro, candidato que também recolhe as preferências de quem esteve com Gouveia e Melo (71,9%) e com Luís Marques Mendes (76,5%). André Ventura chama mais votantes em Gouveia e Melo (14,6%) do que em Cotrim (9,6%) e Mendes (8,6%). Os indecisos encontram-se mais entre as hostes do ex-líder da Iniciativa Liberal e atual eurodeputado (12,8% para 11,2 do antigo ministro de Cavaco Silva e 9,3% do almirante).
No que diz respeito a simpatias partidárias, PS (89,2%) e AD (70,5%) estão com António José Seguro, enquanto André Ventura consegue o grosso dos eleitores do Chega (89,9%), recolhendo percentagens ínfimas junto dos espaços do PS (1,6%) e da AD (12,9%).
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (25, 26 e 27 janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI - Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1254 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,48%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

