Sondagem diária: Seguro (60,9%) arranca para a segunda volta com vantagem de 34 pontos sobre Ventura (26,5%)
Análise de Rafael Barbosa e gráficos de Inês Moura Pinto
António José Seguro (60,9%) arranca com uma vantagem de 34 pontos percentuais sobre André Ventura (26,5%) na sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Quando faltam menos de duas semanas para as eleições, a margem de crescimento do líder do Chega é bastante estreita, uma vez que a sua taxa de rejeição é de 67,7% (percentagem dos inquiridos que respondem que "jamais" votariam no candidato). Note-se que há apenas 7,3% de indecisos e que 5,3% apontam para um voto em branco ou nulo.
O último debate entre os dois finalistas na corrida a Belém está marcado para as 20,30 horas de hoje, com transmissão em direto nos três principais canais de televisão. Os próximos dias dirão se terá efeitos na decisão final dos portugueses. Certo é que António José Seguro parte na "pole position" para esta reta final da campanha, depois dos 31,1% da primeira volta. Para além de registar agora 60,9% das intenções diretas de voto, tem também uma maior firmeza de voto (só 2,8% dos seus potenciais eleitores admitem que ainda podem mudar de opinião). André Ventura também poderá ficar acima (26,5%) da percentagem que conseguiu na primeira volta (23,5%) das presidenciais, mas arranca demasiado longe do socialista para poder aspirar a uma vitória a 8 de fevereiro. Acresce que 7% dos seus eleitores admitem que ainda podem mudar de opinião.
O trabalho de campo desta primeira vaga da sondagem diária decorreu entre sábado e segunda-feira e tem uma margem de erro de mais ou menos 4%. No entanto, e ao contrário que sucedeu na primeira volta, os resultados são apresentados sem a distribuição de indecisos e dos eventuais votos brancos e nulos. Como explicam os responsáveis da Pitagórica, "com dois candidatos, a distribuição de indecisos deixa de ser neutra: qualquer modelo empurra artificialmente um e penaliza o outro. Sem histórico de segundas voltas, optámos por mostrar os resultados diretos."
Quatro em dez eleitores de Cotrim entre a indecisão e o voto em banco
Um dos dados que ressaltam nesta sondagem é que o socialista deverá conquistar uma maioria significativa dos eleitores dos candidatos eliminados na primeira volta. Entre os que votaram no independente Henrique Gouveia e Melo, 76% apontam agora para Seguro, com 11,5% a optarem por Ventura.
No caso Luís Marques Mendes, a percentagem dos que admitem entregar o voto ao ex-líder socialista (68,5%) ou ao líder do Chega (9%) são mais baixas, porque quase dois em cada dez dos que escolheram o social-democrata estão indecisos (18%) sobre o que fazer a 8 de fevereiro.
Se tivermos em conta o eleitorado de João Cotrim Figueiredo, as dúvidas avolumam-se: para além dos 19,9% de indecisos, há outros tantos que, se forem às urnas, optarão por votar em branco ao nulo. Ou seja, quatro em cada dez eleitores do candidato liberal da primeira volta não declaram, para já, apoio a nenhum dos finalistas. Ainda assim, Seguro (53,7%) leva clara vantagem sobre Ventura (6,6%).
Vantagem de Seguro é maior entre as mulheres e os mais velhos
A análise aos diferentes segmentos da amostra (género, idade, classe social e geografia) permite perceber melhor os pontos fortes e as fraquezas de cada um dos dois finalistas. Desde logo no género, com André Ventura a mostrar uma debilidade evidente entre as mulheres. Se, entre eles, a vantagem de Seguro é de "apenas" 18 pontos percentuais, entre elas o socialista (68,7%) está 49 pontos acima do líder do Chega (19,9%).
Confirmando que o retrato eleitoral do momento é diferente consoante o tipo de eleitor, quando o olhar remete para as três faixas etárias em que se divide a amostra, e apesar de uma liderança sólida de Seguro em todas elas, é sobretudo entre os mais velhos que o socialista (67,4%) se destaca de Ventura (22,6%).
Ventura aproxima-se do socialista nos mais pobres e no sul do país
No caso das classes sociais, os diferentes perfis dos eleitores dos dois candidatos são ainda mais evidentes. Seguro tem mais apoio quanto maior for o rendimento, alcançando os 68,6% entre os que estão no topo da pirâmide. Ao contrário, Ventura melhora o resultado quanto menor for o rendimento, conseguindo 34,8% entre os mais pobres (mesmo assim, é o socialista que lidera, com 53,8%).
Finalmente, quando está em causa a distribuição geográfica, e apesar da liderança do socialista em todas as regiões, há também aqui algumas oscilações. O melhor resultado de Seguro nesta primeira vaga da sondagem diária é em Lisboa (65,8%), alguns pontos acima do que consegue no Norte (62,5%) e no Centro (61,8%). O seu ponto mais fraco é o resto do país (sul e ilhas), com 54,9%, precisamente onde. Ventura consegue o melhor resultado (34,8%).
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (24, 25 e 26 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma subamostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (distritos, Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de mais ou menos 4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1245 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,84%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

