Sondagem diária: Seguro continua em queda mas Ventura não conquista terreno. Socialista ganhou debate
Análise de Sílvia Gonçalves e gráficos de Inês Moura Pinto
A intenção de voto em António José Seguro caiu, na mais recente "tracking poll" da segunda volta das eleições presidenciais, 2,6 pontos percentuais, situando-se agora nos 53,6%. Já André Ventura desceu dos 28,4% para os 27,9%. Resultado que traduz um acréscimo acentuado de indecisos, dos 7% para os 8,6%. No sétimo dia de sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, 41% dos inquiridos consideram que Seguro ganhou o único debate entre os dois candidatos a Belém, sendo que apenas 16% entendem que o candidato da extrema-direita foi o que se saiu melhor no confronto.
Entre os que votam em António José Seguro estão maioritariamente as mulheres (59,1%) e a faixa etária acima dos 55 anos (59,4%), sendo também sobretudo no Norte que se concentram aqueles que revelam intenção de votar no socialista (56,5%) e maioritariamente nas classes mais altas (59,7%). Seguro apresenta piores resultados na faixa entre os 35 e os 54 anos (47,7%) e no Sul do país e ilhas, com melhor performance nos grandes centros urbanos (Norte e Grande Lisboa).
Já André Ventura conquista sobretudo eleitores do género masculino (32,7%) e na faixa etária entre os 35 e os 54 anos, com destaque para as regiões Sul e ilhas. O líder do Chega é penalizado sobretudo pelas mulheres - apenas 23,6% lhe dariam o seu voto - e na faixa etária acima dos 55 anos. É no Centro do país que o candidato de extrema-direita congrega menos votos (22%), tal como nas classes mais altas (21,1%).
Seguro ganhou debate e tem eleitores mais fiéis
Mais de 40% dos inquiridos na sondagem da Pitagórica consideram que António José Seguro ganhou o debate transmitido na RTP a 27 de janeiro, contra os 16% que viram em André Ventura um melhor desempenho. Para 7% dos inquiridos verificou-se um empate entre os dois oponentes, enquanto 4% não identificaram qualquer vencedor. Sendo que 29% dos inquiridos não viram nem ouviram nada sobre o debate.
Entre os que manifestam intenção de votar em Seguro, 96,5% asseguram que essa decisão é definitiva, com apenas 2,1% a assumir a possibilidade de mudar. Já entre os que escolhem o candidato da extrema-direita, 89,4% indicam o seu voto como definitivo, sendo que 5,8% assumem que esse voto ainda pode mudar.
Ainda no grupo dos que votam em António José Seguro, 65,7% dizem que irão fazê-lo a favor do candidato, já 31,6% pretendem fazê-lo para impedir a vitória do líder do Chega. Entre os que votam no candidato da extrema-direita, 72,6% fazem-no por identificação com o candidato, enquanto 19,9% pretendem votar em Ventura para impedir Seguro de chegar a Belém.
Independentemente da intenção de voto, 90% dos inquiridos acreditam que António José Seguro sairá vencedor do escrutínio, na linha dos 90% do dia anterior. Apenas 6% acreditam que André Ventura poderá conquistar o mais alto cargo da nação, valor que também não apresenta alterações relativamente aos dois dias anteriores.
Na segunda volta, que se realiza a 8 de fevereiro, Seguro é o candidato que mais beneficia dos votos dos eleitores que na primeira volta apoiaram os candidatos que ficaram para trás. São sobretudo os apoiantes de Henrique Gouveia e Melo que agora pretendem transferir o seu voto para o socialista (61,5%), seguem-se os eleitores que estiveram com Luís Marques Mendes (55.1%). Entre aqueles que votaram em João Cotrim Figueiredo, 37,7% admitem agora votar em Seguro, enquanto 15,8% pretendem transferir o seu voto para André Ventura.
No âmbito partidário, 56,8% dos que votaram na AD nas legislativas de 2025 vão agora votar em António José Seguro, enquanto 85,6% dos que votaram no PS estarão agora com o socialista. Com André Ventura estarão 91,8% dos que votaram no Chega nas últimas legislativas, sendo que 3,3% vão agora votar em Seguro.
Questionados sobre qual dos candidatos, no exercício do cargo de presidente da República, seria mais independente dos partidos políticos, 62% inclinam-se para António José Seguro, num ligeiro acréscimo face aos 61% do dia anterior. Apenas 21% consideram que André Ventura, líder do Chega, seria mais independente. Para 9% dos inquiridos nenhum dos dois seria efetivamente independente.
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (30 e 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma subamostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (distritos, Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de mais ou menos 4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1243 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,91%. A distribuição de indecisos (quando indicada) é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

