Sondagem diária: Seguro e Ventura descolam, Mendes recupera oxigénio e Cotrim cria raízes
Análise de Pedro Ivo Carvalho e gráficos de Inês Moura Pinto
E, ao terceiro dia, o pelotão da frente na corrida presidencial tem dois velocistas em destaque: António José Seguro (21%) e André Ventura (19,6%). A dupla da frente consegue aumentar, ainda que ligeiramente, a distância para os outros contendores, que andam em modo perseguição desde o início da sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN. Luís Marques Mendes (16%) recupera algum oxigénio eleitoral, contrariando o resultado de véspera, de clara perda. Algo que, ainda assim, não lhe permite escapar ao quinto lugar no campeonato dos grandes. Por outro lado, a marcação cerrada de Cotrim de Figueiredo (18%), que criou raízes na disputa pelo pódio, e Henrique Gouveia e Melo(17,2%) continua a animar uma imprevisível disputa pela segunda volta.
Ainda é cedo para concluir que Seguro está embalado por uma tendência de vitória, mas a verdade é que atinge o melhor resultado no histórico dos barómetros presidenciais da Pitagórica - não apenas nas sondagens diárias, mas tendo em conta as consultas efetuadas desde outubro do ano passado. O candidato apoiado pelos socialistas alcança 21% (contra os 20,7% da véspera), o que o deixa a cinco décimas de distância face a André Ventura, que, num dia, passa dos 18,4% para os 19,6%, naquela que também é a sua melhor prestação no já referido histórico de sondagens.
Cotrim estaciona no topo, Gouveia e Melo tropeça e Mendes mostra os dentes
Mas se no dia anterior a refrega estava mais renhida na luta pelo segundo, terceiro e quarto lugares, agora as cadeiras estão menos movediças. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal praticamente iguala o resultado das duas primeiras amostras (18%, 18,3% e agora 18% novamente), provando que solidificou a tração eleitoral. Veremos se ainda há margem de progressão para Cotrim de Figueiredo. Já o almirante dá um pequeno tropeção, continuando uma trajetória descendente desde a primeira sondagem diária: começou com 19,2%, baixou para os 18,3% e agora recuou para os 18%. Nestes avanços e recuos do pelotão do meio, apenas Marques Mendes tem razões para sorrir, uma vez que conquista o seu melhor resultado nesta "tracking poll": 16%. Do primeiro para o terceiro dia, a diferença entre o primeiro e o quinto classificado passou de quatro pontos percentuais para cinco pontos, ainda que, na comparação com a véspera, até tenha diminuído uns pozinhos. Recorde-se que, neste estudo de opinião, entram 200 novos inquiridos todos os dias, retirando-se os 200 mais antigos da equação.
Catarina Martins intensifica a pedalada e Jorge Pinto perde os travões na descida
Olhando para a segunda metade do pelotão, que pedala à esquerda do PS, o cenário não muda praticamente nada. E apenas o desempenho de Catarina Martins dá sinais de alguma vitalidade, uma vez que a candidata apoiada pelo BE sobe dos 2,9% dos dois primeiros dias para os 3,3%. António Filipe baixa oito décimas (de 3,5% para 2,7%) e Jorge Pinto perde os travões na descida, baixando do 1% (de 1,3% para 0,7%), sendo mesmo ultrapassado por Manuel João Vieira, que regista 1% das intenções de voto. O desiste-não-desiste em favor de António José Seguro pode ajudar a explicar esta queda aparatosa de Jorge Pinto no asfalto. Mas os próximos dias poderão ser mais esclarecedores sobre uma provável transferência de votos do candidato apoiado pelo Livre para o socialista. A verdade é que a Esquerda continua a milhas de distância dos candidatos do Centro e da Direita.
Mendes e Ventura continuam a ser os preferidos para uma segunda volta
Ainda que a prestação de Marques Mendes, no que se refere ao histórico dos barómetros presidenciais da Pitagórica, se esteja a caraterizar por uma perda considerável de tração eleitoral, o candidato apoiado pelo PSD continua a ser aquele que, independentemente da intenção de voto, os portugueses acreditam que está em melhores condições para passar a uma segunda volta - um item no qual obtém 32 pontos. André Ventura partilha o outro assento, mas com menos 10 pontos do que o seu adversário. A aparente contradição entre esta expetativa e as reais intenções de voto pode ter uma explicação: Marques Mendes ainda está a viver dos juros colhidos pelos bons resultados alcançados no arranque da campanha.
Carregue nos candidatos para ver o resultado
Seguro "neutro" nos géneros, mulheres preferem Mendes e Gouveia e Melo
Mergulhando na malha fina e sociológica da terceira sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, consta-se que António José Seguro é o candidato mais consensual se considerarmos os géneros do eleitorado, uma vez que colhe basicamente as mesmas preferências entre homens (18,3%) e mulheres (18%). Já Ventura tem um ascendente mais evidente junto do eleitorado masculino, algo que também se verifica no caso de Cotrim Figueiredo, embora com menos distanciamento. Gouveia e Melo, por oposição, é mais apreciado pelas mulheres, tal como Marques Mendes.
Já no que se refere às preferências do eleitorado segundo a idade, Seguro continua a ser o preferido entre os mais velhos (mais de 55 anos), a uma distância ainda considerável para Gouveia e Melo e Marques Mendes. Já André Ventura e Cotrim de Figueiredo mantêm o melhor desempenho entre os portugueses situados entre os 18 e os 54 anos, estando praticamente equiparados nesses segmentos.
Ricos com Cotrim, pobres com Ventura, Seguro pesca eleitores em todos os bolsos
Filtrando os dados pelo poder aquisitivo dos inquiridos, não se verificam grandes oscilações face ao resultados das duas primeiras consultas. Cotrim de Figueiredo destaca-se de forma expressiva entre os portugueses ricos, obtendo quase três vezes menos a preferência dos eleitores pobres. André Ventura, por seu turno, capitaliza sobretudo entre a chamada classe média e os menos abastados. Nestes dois índices, Gouveia e Melo tem um alcance equivalente, destacando-se, pela positiva, entre o eleitorado com melhores rendimentos. De novo, Seguro é o que consegue uma maior transversalidade, ao reunir praticamente as mesmas preferências de ricos, remediados e pobres. Já Marques Mendes lidera entre a classe média, obtendo praticamente o mesmo resultado entre pobres e ricos.
Lisboa com Cotrim, Norte com Seguro e Ventura esfomeado na região Centro
O que nos diz o mapa sobre as intenções de voto? Várias coisas: que a Grande Lisboa é a praia eleitoral de Cotrim de Figueiredo, que é no Norte que Seguro melhor se espraia, que é no Centro que André Ventura encontra o seu "povo". Gouveia e Melo é o candidato que consegue maior estabilidade em termos de distribuição territorial. Já Marques Mendes capitaliza sobretudo a Norte e ao Centro.
Tracking poll: Sondagem diária até 16 de janeiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 16 de janeiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, sempre às 20.30 horas, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas ne por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha Técnica
Durante 3 dias (4, 5 e 6 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1227 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,55%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

