Sondagem diária: Seguro perde votos na Grande Lisboa e há mais indecisos
Análise de David Mandim e gráficos de Inês Moura Pinto
O número de indecisos quanto ao voto na segunda volta das eleições presidenciais tem aumentado diariamente e atinge o valor mais alto na "tracking poll", com 9,3% dos inquiridos a manifestar que ainda não sabe em que irá votar no próximo domingo. A sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, no seu oitavo dia, indica que as intenções de voto em António José Seguro mantêm uma tendência decrescente, com o candidato a recolher a preferência de 52,8%, o que significa uma descida de 0,8 pontos percentuais (pp), sendo a Grande Lisboa a região onde vê mais eleitores fugirem. E quem aproveita é André Ventura, que sobe um pouco, 0,2 pp, para se situar nos 28,1% das intenções de voto.
Os indecisos superam já os 9%, depois de representarem 7,3% a 26 de janeiro, no início desta sondagem diária. Após uma ligeira descida nos dois dias seguintes, o número de pessoas que ainda não sabe em quem votar aumenta diariamente, com uma quebra no dia 31 de janeiro, para se situar agora nos 9,3%. São as mulheres quem mais contribui para esta incerteza: são 10,7% dos indecisos do sexo feminino contra 7,8% do masculino, tendo ambos os sexos começado em 7,4% e 7,1%, respetivamente.
Os votos em branco e nulos ainda são superiores. De acordo com os dados da Pitagórica, situam-se agora nos 9,8%, menos uma décima do que no dia anterior, mas bem acima do arranque em que apenas 5,3% admitia um voto em branco ou nulo.
A nível geral de intenções de voto, António José Seguro segue na liderança, se bem que esteja a perder diariamente. Ao oitavo dia, o candidato apoiado pelo PS soma 52,8% de apoio entre os inquiridos na "tracking poll". Significa que voltou a descer, uma tendência que segue firme desde 27 de janeiro, quando Seguro recolhia 61,9% das intenções de voto.
O seu adversário melhora, mas pouco. André Ventura tem 28,1% de apoio expresso com votos, uma ligeira subida relativamente ao início, altura em que merecia a concordância de 26,5%.
Lisboa ajuda Ventura
Ao observar as preferências por região, verifica-se que António José Seguro tem perdido sobretudo apoio entre eleitores da Grande Lisboa. Desce de 65,8%, valor inicial da sondagem diária, para 46,9%. É a região em que perde mais votos, ao invés do Norte, onde regista 59,4%, sendo nesta área do país onde amealha atualmente mais preferências.
André Ventura parece estar a capitalizar estas dúvidas na zona da capital. O líder do Chega soma 32,7% das preferências de voto na Grande Lisboa, contra 21,7% de 26 de janeiro É praticamente a única zona onde consegue crescer na votação, sendo que no resto do país, com uma ou outra oscilação, mantém níveis semelhantes.
Em termos de firmeza de voto na segunda volta, António José Seguro tem eleitores mais leais, com 96,5% entre os 52,8% dos seus votantes a dizerem que a sua intenção de voto é definitiva. André Ventura apresenta um total de 89,9% já convencidos de que não irão alterar a usa cruz no boletim de voto, isto entre os 28,1% que declaram preferir o presidente do Chega.
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (31 de janeiro, 1 e 2 de fevereiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma subamostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (distritos, Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de mais ou menos 4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1230 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,43%. A distribuição de indecisos (quando indicada) é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

