Sondagem diária: Um quarto dos apoiantes de Cotrim Figueiredo vota em branco na segunda volta
Análise de Abílio T. Ribeiro e gráficos de Inês Moura Pinto
Um quarto dos apoiantes de João Cotrim Figueiredo (25,8%) vai votar branco ou nulo na segunda volta das eleições presidenciais e 17,5% continuam indecisos no nome que querem como próximo presidente da República. No sexto dia de sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, o voto de protesto continua a ganhar força e já pesa mais do que todos os candidatos à Esquerda de Seguro conseguiram no primeiro "round". Ainda assim, a decisão está clara para a maioria dos inquiridos.
Se as eleições fossem este domingo, dia de voto antecipado em mobilidade, António José Seguro ganharia a corrida a Belém (56,2%), com uma vantagem de 27,8 pontos percentuais face a André Ventura (28,4%). Os resultados já refletem o possível impacto que a catástrofe Kristin pode ter tido na intenção de voto dos portugueses. Apesar da vantagem, o candidato apoiado pelo PS continua a cair na sondagem da Pitagórica pelo quinto dia consecutivo: são menos 4,7 pontos percentuais desde o primeiro dia do trabalho de campo. Do outro lado, André Ventura assume uma trajetória crescente há dois dias e consegue o melhor resultado, com mais 1,9 pontos percentuais do que a 26 de janeiro. Ainda assim, 90% dos eleitores não tem dúvidas de que o ex-líder socialista ganhará no próximo domingo.
Votos em branco continuam imparáveis
À entrada da derradeira semana de campanha, os eleitores indecisos e os votos em branco não param de crescer, com o voto de protesto a atingir 8,4%; já os indecisos ficam-se pelos 7%. A contribuir para esta fatia de inquiridos, estão sobretudo os eleitores que votaram em João Cotrim Figueiredo na primeira volta. É dos apoiantes do ex-presidente da Iniciativa Liberal que chega o maior número de votos em branco (25,8%) e de indecisos (17,5%).
Um efeito que poderá ser explicado pela falta de clareza do ex-candidato à presidência. Cotrim foi o único, entre os aspirantes a chefe de Estado, a não revelar o sentido de voto, embora tenha admitido que não se ficará pelo branco e que também não votará em André Ventura. Também a IL reiterou, no Conselho Nacional, que não vai apoiar ou fazer campanha por qualquer dos candidatos. São os apoiantes de Luís Marques Mendes que aparecem logo a seguir nas intenções de voto em branco (22,4%), seguindo-se os de Henrique Gouveia e Melo (4,9%). No campeonato dos indecisos, as posições invertem-se: 11,1% dos eleitores do ex-almirante ainda não sabem em quem vão votar no dia 8 de fevereiro; enquanto apenas 8,2% dos apoiantes de Marques Mendes ainda não tomaram nenhuma decisão.
Seguro beneficia dos votos da Esquerda e de Gouveia e Melo
Quanto à transferência de voto direto num dos dois candidatos na corrida, António José Seguro domina e é quem mais beneficia dos eleitores de todos os candidatos que ficaram pelo caminho na primeira volta, com destaque para os apoiantes de Henrique Gouveia e Melo (66,7%) e Luís Marques Mendes (58,2%). Para André Ventura, são os apoiantes de João Cotrim Figueiredo (25,8%) que mais admitem estar com o líder do Chega nesta reta final.
No campeonato da "firmeza de voto na segunda volta" não há surpresas A opinião da maioria dos inquiridos nesta sondagem sobre quem querem no Palácio de Belém dificilmente mudará até dia 8 de fevereiro. Entre os que disseram votar em António José Seguro, 96,8% dizem que o voto é definitivo e apenas 2,8% ainda pondera mudar. O resultado é idêntico nos que escolheram Ventura: 91,2% afirma que a decisão está tomada e não há lugares para recuos; 7% admitem alterar até ao dia decisivo. A taxa de rejeição de cada um dos candidatos continua a registar uma diferença significativa: 21,1% dizem que jamais votariam no ex-secretário-geral do PS, 66,6 recusam escolher o líder do Chega.
Sobre a intenção de voto por faixa etária, são sobretudo os maiores de 55 anos e mulheres que escolhem o candidato socialista. André Ventura reúne mais apoios entre a faixa dos 35 e 54 anos e nos homens. Por regiões, Seguro leva a melhor em todas as regiões do país. Ventura alcança o melhor resultado na Grande Lisboa (31,3%).
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (29, 30 e 31 janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI - Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1262 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,18%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

