Sondagem diária: União no país vai "depender de quem ganhar" presidenciais
Análise de Rita Neves Costa e gráficos de Inês Moura Pinto
Quase metade dos portugueses (49%) coloca nas mãos do próximo presidente da República a capacidade de unir ou, por outro lado, de criar divisões no país. No quinto dia de sondagem diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN, a maioria dos inquiridos aponta que o estado de Portugal no pós-eleições vai "depender de quem ganhar", o que evidencia o clima de polarização política. A firmeza de voto em cada um dos candidatos é, regra geral, definitiva e pouco suscetível à mudança.
Face aos dias anteriores, poucas mudanças há a registar no sentido de voto para a segunda volta das eleições presidenciais: António José Seguro segue à frente (57,3%), com uma vantagem de 30 pontos percentuais face a André Ventura (27,2%). Embora em números reduzidos, os eleitores indecisos e os votos em branco ou nulos continuam a crescer desde 26 de janeiro, a data da primeira tracking poll da disputa entre Seguro e Ventura.
Quando é para traçar um cenário de como ficará Portugal nos pós-eleições presidenciais, 49% dos inquiridos consideram que a união ou a divisão no país irá depender de quem ganhar. A maioria dos participantes na sondagem diária da Pitagórica não arrisca dizer como estará Portugal após 8 de fevereiro, sem conhecer os resultados. Só 23% acreditam que Portugal ficará mais unido, independentemente de quem for o vencedor; já 21% aponta que o país ficará mais dividido depois destas eleições.
Maioria acredita que Seguro é mais independente dos partidos
Mas não é só a incerteza dos inquiridos sobre o estado do país que evidencia a polarização política. Também na "firmeza de voto na segunda volta", é possível verificar que a maioria dos eleitores, com a intenção de voto revelada nesta sondagem diária, dificilmente mudará de opinião até dia 8. Dos que disseram votar em António José Seguro, 97,6% afirmam que a decisão está tomada e apenas 1,5% apontam que "ainda pode mudar". Também nos inquiridos que escolheram André Ventura, 90% dizem que o voto é "definitivo" e 6,4% admitem alterar até ao dia da ida às urnas.
A taxa de rejeição de cada um dos dois candidatos continua a registar diferenças abismais. Enquanto 66,8% revelam que jamais votaria no líder do Chega, o valor desce para os 21,3% com o ex-secretário-geral do PS.
A pensar no cargo de presidente da República, os inquiridos foram desafiados a escolher qual o candidato que será mais independente dos partidos políticos. Mais de metade (60%) acredita que António José Seguro, ex-líder do PS, será capaz de o fazer, contra os 19% que escolheram André Ventura, presidente do Chega. Apesar de Seguro afirmar a vontade de "ser o presidente de todos os portugueses", Ventura tem tentado, por diversas vezes, fazer uma colagem do adversário ao PS.
Se Ventura vencer, 24% acha que Chega vai enfraquecer
Ainda que o cargo de chefe de Estado seja suprapartidário, existem leituras a fazer sobre o impacto das presidenciais nos partidos que apoiam cada candidato. No caso de Seguro vencer, 25% acreditam que o PS ficará mais forte e 4% defendem que o partido sairá mais fraco. Já se Ventura for eleito presidente da República, as contas estão mais equilibradas: 29% dizem que o Chega estará reforçado e 24% consideram que o partido do qual é presidente poderá enfraquecer. Os números poderão evidenciar o peso que Ventura tem e continuará a ter no Chega, mesmo que seja o próximo ocupante do Palácio do Belém.
Face às eleições legislativas, 63,3% dos inquiridos que vão votar em Seguro afirmaram que deram a sua confiança à Aliança Democrática (AD) em maio do ano passado. André Ventura pouco sai da esfera de eleitores do Chega: 89,4% votaram no partido nas legislativas e repetem o voto no seu líder, na segunda volta.
No grupo de indecisos estão sobretudo pessoas com mais de 55 anos (9,7%) e mulheres (8,6%). António José Seguro tem subido no sentido de voto dos jovens entre os 18 e os 34 anos, enquanto André Ventura solidifica a posição no eleitorado entre os 35 e 54 anos. Na distribuição por regiões, o Centro continua a ser fiel ao ex-líder do PS (58,6%), que tem também mais eleitores nas classes com maiores rendimentos. Já o presidente do Chega contará com mais votos no Sul e nas ilhas (29,5%) e junto dos mais carenciados.
Tracking poll: Sondagem diária até 6 de fevereiro
O JN publicará uma "tracking poll", diariamente, até 6 de fevereiro, último dia em que é permitida a publicação de sondagens. Poderá seguir a evolução das intenções de voto na edição online, ao princípio da noite, ou na edição impressa. Um estudo de opinião que funciona de uma forma diferente do habitual. Arranca como qualquer outra sondagem, com uma amostra de cerca de 600 inquéritos, que representam o nosso universo eleitoral. A cada dia, acrescentam-se cerca de 200 entrevistas, retirando-se as 200 mais antigas. Ao fim de três dias, a amostra estará completamente renovada, relativamente ao dia de arranque. E assim sucessivamente até às vésperas da ida às urnas que, para usar uma frase feita, mas nem por isso menos verdadeira, é a "sondagem" que conta.
Ficha técnica
Durante 3 dias (28, 29 e 30 de janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma subamostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o género, três cortes etários e 20 cortes geográficos (distritos, Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos três últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de mais ou menos 4,06%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel" mantendo a proporção dos três principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI- Computer Assisted Telephone Interviewing). O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha, bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1261 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 47,87%. A distribuição de indecisos (quando indicada) é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

